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segunda-feira, 16 de julho de 2012

ESTUDO AVALIA EFEITO DE ANESTESIA APÓS CIRURGIA


Objetivo é encontrar drogas capazes de modular a liberação de substâncias coagulantes no organismo, evitando hemorragias e trombose


São Paulo - Uma pesquisa feita na Universidade Estadual Paulista (Unesp) investigou o efeito dos dois anestésicos inalatórios mais usados – o isoflurano e o servoflurano – na reação inflamatória desencadeada no organismo após uma cirurgia.
A investigação foi feita em ratos submetidos a um procedimento para a retirada de um dos rins e revelou que a droga isoflurano causou maior liberação de uma das substâncias inflamatórias avaliadas.
“Quando passamos por uma cirurgia, o organismo entende que está sofrendo uma agressão e libera as chamadas citocinas inflamatórias. Elas ativam a coagulação sanguínea e ajudam a evitar hemorragias”, explicou Norma Sueli Pinheiro Módolo, coordenadora da pesquisa financiada pela Fapesp.
Segundo Módolo, essa reação é esperada mas não pode ser exagerada por causa do risco de trombose. “Estamos tentando descobrir um anestésico capaz de modular a resposta inflamatória. Ela não pode ser anulada, pois o paciente sofreria hemorragia. Mas também não pode ser muito exacerbada pela droga. Isso é importante principalmente em pacientes de maior risco, como cardiopatas”, disse.
Para comparar o efeito das duas substâncias, 16 animais foram divididos em dois grupos. Metade recebeu isoflurano e os demais, servoflurano. Amostras de sangue da cauda foram colhidas em quatro momentos diferentes: antes da aplicação dos anestésicos (M0), uma hora após a anestesia (M1), meia hora após a cirurgia (M3) e 24 horas após a cirurgia (M4).
“Medimos cinco diferentes citocinas inflamatórias: o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), o interferon gama (INF-γ) e as interleucinas 12, 6 e 10. Com exceção da interleucina 10, que tem ação anti-inflamatória, as demais são todas pró-inflamatórias”, contou Módolo.
O resultado dos testes mostrou que as drogas causaram alteração significativa apenas na liberação do TNF-α e principalmente no grupo que recebeu a droga isoflurano.
O TNF-α é a primeira citocina liberada após uma lesão e tem a missão de ativar a chamada cascata inflamatória no organismo. “Em uma situação de trauma ou infecção, ela induz febre, ativa a coagulação, causa vasodilatação sistêmica e pode levar à hipoglicemia”, explicou Módolo.
No grupo do isoflurano, a concentração de TNF-α no sangue passou de 0 nanogramas por mililitro (ng/ml) no M1 para 10,54 ng/ml no M3, ou seja, logo após a cirurgia. Na análise feita no dia seguinte, a dosagem já havia caído para 4,55 ng/ml.
No grupo do sevoflurano, o TNF-α passou de 0 ng/ml no M1 para 4,43 ng/ml no M3. No dia seguinte, a dosagem havia caído para 1,76 ng/ml. “Foi possível perceber que o anestésico alterou a reposta inflamatória, mas não de forma exagerada. A situação já estava se normalizando no dia seguinte”, avaliou Módolo.
A pesquisadora ressalta, no entanto, que a investigação foi feita em animais sadios. “Imagino que um paciente hígido submetido a uma cirurgia relativamente simples não teria problemas com nenhum dos dois anestésicos. Mas em pessoas obesas, que já possuem mais substâncias inflamatórias no organismo, ou em cardiopatas, pneumopatas e recém-nascidos, talvez esses anestésicos possam causar uma resposta inflamatória mais exacerbada”, disse.
A equipe pretende seguir essa linha de investigação, primeiro avaliando o efeito das drogas em ratos com problemas de saúde e, no futuro, em seres humanos. “Também queremos investigar a ação de outros anestésicos, inclusive os endovenosos”, disse Módolo.
A pesquisa deu origem ao projeto de iniciação científica de Diego Freitas Tavares, que contou com Bolsa Fapesp.
FONTE: DIKAJOB

domingo, 29 de abril de 2012

BACTÉRIAS DO IOGURTE PODEM AJUDAR A COMBATER DOENÇAS INFLAMATÓRIAS DO INTESTINO


Uma equipe de pesquisadores da Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, descobriu que alguns tipos de bactérias presentes nos iogurtes, como os lactobacilos, podem proteger o corpo contra doenças inflamatórias do intestino. Em um estudo feito com camundongos, os especialistas mostraram que o efeito probiótico desses microrganismos pode interromper processos inflamatórios do corpo. A pesquisa foi publicada na edição deste mês do periódicoCell Host & Microbe.


Em experimentos realizados com camundongos, os pesquisadores observaram a ação da bactéria do grupo Lactobacillus casei, presente no ácido lático do leite, e descobriram que ela produz uma enzima capaz de interromper processos inflamatórios no organismo. Isso acontece pois a enzima quebra moléculas que trabalham como mediadoras do processo inflamatório. No caso, rompem as citocinas (moléculas que ajudam as células a se 'comunicarem') pró-inflamatórias — tipo de citocina que, diferentemente das anti-inflamatórias, contribuem para os quadros de inflamação no intestino.
De acordo com o estudo, transtornos intestinais crônicos, como a doença de Crohn e a colite ulcerosa, são resultados de um mau funcionamento do mecanismo de defesa do corpo. Nesses casos, as citocinas pró-inflamatórias podem contribuir para a lesão no tecido devido a processos inflamatórios crônicos, impedindo a cicatrização dos tecidos.
De acordo com Dirk Haller, coordenador do trabalho, essa enzima é um elemento comum na área de pesquisa em tecnologia dos alimentos. Mas o que é surpreendente na sua pesquisa é o fato de que a proteína tem força para agir sobre importantes mediadores da resposta imunológica do organismo a processos inflamatórios. Para o pesquisador, o mecanismo que foi descoberto pode ajudar em novas abordagens de prevenção e tratamento de doenças intestinais crônicas. Seu próximo passo será realizar estudos clínicos que apliquem o uso farmacêutico da enzima em seres humanos e comprovem sua eficácia.
ÁCIDO LÁTICO
Pode se formar naturalmente a partir de  reações de fermentação de alimentos como queijos e iogurtes, e também pode se formar sinteticamente. Reações do corpo humano com atividade física também podem produzir ácido lático.

PROBIÓTICOS
São microrganismos 'do bem', bactérias (como os lactobacilos) que contribuem para o bom funcionamento do organismo. Nos intestinos grosso e delgado, ajudam a regular movimento peristáltico e síntese de vitaminas, por exemplo, além de auxiliar no equilíbrio entre as bactérias que habitam os intestinos.

DOENÇAS INFLAMATÓRIAS DO INTESTINO
Acontecem quando há uma inflamação no intestino e o aparecimento de cólicas recorrentes e diarreia. As duas principais doenças são a Doença de Crohn e a colite ulcerativa. A primeira é uma inflamação crônica que atinge qualquer parte do aparelho digestivo, enquanto a segunda afeta principalmente o intestino grosso.

FONTE: VEJA