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sexta-feira, 8 de junho de 2012

NOVO MÉTODO FACILITA SEQUENCIAMENTO DE DNA NO PRÉ-NATAL


NOVA YORK - Pela primeira vez, pesquisadores determinaram praticamente todo o genoma de um feto usando apenas uma amostra de sangue de uma mulher grávida e de saliva do pai. O experimento abre uma era em que os pais poderão facilmente conhecer todo o DNA de uma criança meses antes de seu nascimento. Essa conquista permitiria que milhares de doenças genéticas sejam detectadas ainda no pré-natal.

No entanto, a capacidade de saber tanto sobre uma criança antes mesmo de seu nascimento deve levantar também uma série de questionamentos éticos. O número de abortos pode crescer, e não por motivos médicos, mas apenas pelas preferências dos pais por certas características das crianças.

O trabalho, publicado esta semana pela revista “Science Translational Medicine”, foi produzido por geneticistas da Universidade de Washington. Os pesquisadores usaram uma técnica de sequenciamento de alta velocidade de DNA e algumas acrobacias estatísticas e computacionais para deduzir o sequenciamento de DNA do feto com cerca de 98% de precisão.

O processo não é prático, acessível ou preciso o suficiente para ser usado de imediato, segundo especialistas. Pesquisadores da Universidade de Washington estimam que custaria entre US$ 20 mil e US$ 50 mil para realizar um genoma fetal hoje.

Mas o custo do sequenciamento do DNA está caindo em um ritmo veloz, e a exatidão só faz aumentar. Os pesquisadores estimaram que o procedimento estará amplamente disponível em três a cinco anos. Outros acreditam que vai demorar um pouco mais.

Já é possível determinar o sequenciamento de DNA de um feto pela aquisição de células fetais via amniocentese ou pela biópsia de vilo corial, um trabalho com o tecido placentário. Mas estes procedimentos são invasivos e provocam um pequeno risco de indução de aborto.

Para casais preocupados em transmitir uma doença genética, também é possível usar fertilização in vitro e ter um embrião testado geneticamente antes de seu implante no útero. Mas a técnica descrita na pesquisa da Universidade de Washington não requer células completas do feto e tornaria o teste de DNA mais fácil e menos arriscado.

— Se esse tipo de experimento for adotado em uma base generalizada, acredito que deva ser necessariamente algo não-invasivo — disse Jay Shendure, professor associado de Ciências Genômicas da Universidade de Washington, que supervisionou a equipe de pesquisadores.

O genoma foi determinado por amostras de sangue obtidas com 18 semanas e meia de gravidez. Shendure, porém, afirmou que a técnica poderia provavelmente ser aplicada no primeiro trimestre de gestação, tão cedo, ou ainda mais, do que algumas técnicas invasivas.

O novo método aproveita-se da descoberta, feita nos anos 1990, de que fragmentos do DNA do feto podem ser encontrados no plasma sanguíneo de uma mulher grávida, provavelmente como resultado de células fetais morrendo e se dividindo.

Os fragmentos podem ser analisados geneticamente, desde que estes pedaços de DNA fetal sejam separados de um número muito maior, que vem da própria mãe.

A análise dos fragmentos fetais de DNA encontrados no sangue da mulher grávida já é usada em testes comerciais para saber o sexo do feto, a paternidade e se ele tem doenças genéticas. Mas reconstruir um genoma inteiro a partir de fragmentos de DNA é muito mais difícil.

FONTE: O GLOBO

domingo, 8 de abril de 2012

NOVO EXAME OFERECIDO EM SP PERMITE IMPRIMIR FETO EM 3D




Os nove meses de gestação não precisam mais terminar para ter o bebê nas mãos. Um exame que entra neste mês no mercado no país oferece a possibilidade de imprimir o feto em três dimensões.

O resultado é uma réplica do bebê em tamanho real, feita de um material similar ao gesso ou de um tipo de resina --e, a depender da escolha dos pais, até de prata.

Até agora, afirma o ginecologista Heron Werner Jr., o método estava sendo usado só para pesquisas com foco em malformações, como tumores cervicais, lesões externas, fenda no lábio e problemas nos membros e na coluna. Casos como esses ainda devem ser as principais indicações do exame, que está em testes há mais de cinco anos.

Um dos objetivos, segundo o especialista em medicina fetal, é entender melhor os problemas do feto. "A ideia é transformar isso numa interface amigável para a equipe. É mais fácil discutir o caso mostrando um modelo físico e não só vê-lo na tela."

Algumas malformações podem requerer cirurgias logo após o nascimento, que podem ser mais bem planejadas com o modelo impresso, diz Werner. Outra vantagem é facilitar a comunicação do problema aos pais.

Mas, assim como aconteceu com a ultrassonografia 3D e a apelidada de 4D (em que é possível ver uma imagem tridimensional do feto se mexendo em tempo real), a nova tecnologia também deve servir para os pais guardarem uma lembrança do período de gestação do filho.

Da impressão em 3D, leva-se uma réplica que pode virar até pingente de prata. "Não é esse o objetivo inicial, mas acaba pegando carona. A cópia é muito fiel."

COMO É FEITO
A grávida precisa se submeter a um ultrassom ou a uma ressonância magnética para que os médicos obtenham os dados matemáticos das dimensões e do formato do feto. Depois de processadas no computador, essas informações são enviadas para a impressora 3D.

O custo do exame, disponível no laboratório Alta Excelência Diagnóstica, aberto neste mês em São Paulo, ainda não está fechado. A impressão é feita nos laboratórios do Instituto Nacional de Tecnologia, por meio de uma parceria público-privada. Só essa parte final do processo custa, em média, R$ 600. Mas o valor vai variar conforme o material e o tamanho do feto.

De acordo com Rita de Cássia Sanchez Oliveira, coordenadora da equipe de medicina fetal do hospital Albert Einstein, a nova técnica pode ser vantajosa para gestantes com deficiência visual, que não têm como acompanhar os exames tradicionais.
"Elas sentem falta de alguma coisa. Uma me pediu para gravar os batimentos cardíacos do bebê para colocar no celular", afirma.

Em termos de avanços diagnósticos, no entanto, Oliveira acha que os métodos usados hoje já são suficientes para a comunicação entre os médicos sobre possíveis malformações. Mas,
quanto aos pais, a impressão pode oferecer vantagens. "Por mais que você mostre na tela, não é a mesma coisa."

FONTE: FOLHA