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sábado, 7 de julho de 2012

MUTAÇÃO DE DOIS GENES AUMENTA EM 50% RISCO DE DEPENDÊNCIA DE NICOTINA

Uma pesquisa brasileira revelou que a mutação de dois genes pode aumentar em quase 50% a probabilidade de uma pessoa ser fumante. Os resultados foram publicados na revista científica PLoS ONE.


O estudo, feito com a amostra de sangue de 531 voluntários, mostra que os dois genes estão associados diretamente ao glutamato, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer, e ao sistema nervoso central, onde a nicotina atua.
A pesquisadora Vanessa Santos, responsável pelo estudo realizado na PUC-RS, acredita que a descoberta pode ajudar na futura produção de remédios personalizados - direcionados para dependentes com diferentes tipos de patrimônio genético.
"Hoje, as empresas lançam um remédio para a população em geral e vê se dá resultado", afirma. "A tendência é que, no futuro, nós possamos focar em uma pessoa e fazer o tratamento dar certo."
Multifatorial. Embora os dois genes sejam clinicamente relevantes para identificar uma predisposição à dependência de nicotina, a pesquisadora lembra que o tabagismo é uma doença multifatorial e, por isso, varia de pessoa para pessoa de acordo com aspectos sociais e comportamentais.
"Não podemos prevenir o tabagismo somente verificando esses dois genes", afirma. "Essa doença é um grande quebra-cabeça, e a nossa pesquisa fornece aos profissionais de saúde um maior conhecimento sobre ela."
Para o coordenador do Programa de Controle do Tabagismo do hospital universitário da PUC-RS, José Chatkin, que orientou a pesquisa, remédios baseados em perfis genéticos podem ajudar pessoas com dificuldade para largar o vício, mas não serão efetivos se aplicados de forma isolada.
"Pela genética se consegue determinar qual o melhor fármaco para a pessoa A ou para a pessoa B, mas o sucesso do tratamento ainda vai depender da vontade do fumante de querer parar."
De acordo com o médico Gustavo Prado, pneumologista que estuda tabagismo no Instituto do Coração (Incor), a pesquisa apresenta números relevantes, mas ainda não é possível afirmar que o polimorfismo de dois genes é o causador da dependência de nicotina.
"Substâncias codificadas por esses genes, como o glutamato, podem estar envolvidas nas alterações funcionais do sistema nervoso que predispõem uma pessoa ao desenvolvimento de doenças como a dependência da nicotina, mas os resultados ainda devem ser vistos com cautela", afirma o médico.
Novos tratamentos. Em busca de soluções inspiradas na engenharia genética, pesquisadores da Weill Cornell Medical College, nos EUA, desenvolveram uma nova vacina contra a nicotina.
O tratamento, aplicado em camundongos, consiste em mapear a sequência genética necessária para produzir anticorpos antinicotina. O DNA resultante é inserido em vírus, que, injetados nos dependentes, espalham-se pelo organismo e ajudam a potencializar a produção de anticorpos.
"Até onde sabemos, a melhor maneira de tratar o vício é ter anticorpos de patrulha, limpando o sangue antes que a nicotina possa ter algum efeito biológico", afirma o coordenador da pesquisa, Ronald Crystal.
O estudo, publicado na revista científica Science Translational Medicine, mostra que a concentração de nicotina no cérebro de camundongos dependentes diminuiu 85% depois da vacina.
Crystal diz que o tratamento só poderá ser testado em humanos daqui a alguns anos, depois de mais estudos.
FONTE: ESTADÃO


sábado, 26 de maio de 2012

EXAME QUE USA HÁLITO PARA DIAGNOSTICAR DOENÇAS CARDÍACAS


Pesquisadores do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo, desenvolveram uma técnica que realiza diagnósticos de insuficiência cardíaca por meio apenas do sopro. O exame é feito com um aparelho que mede o nível de acetona – substância de cheiro forte produzida durante os processos de metabolismo do corpo – presente no ar expelido pela boca do paciente. Quanto maior o nível, mais elevado é o estágio da doença.
A nova técnica garante diagnósticos tão precisos quanto a forma usada atualmente – a constatação da insuficiência é feita hoje por exame de sangue, que verifica a presença de uma substância chamada 'bnt'. “Observamos que o nível da acetona no ar exalado cresce de maneira proporcional ao nível do biomarcador 'bnt' no sangue”, explica Fernando Bacal, médico do InCor.
Além disso, o novo exame custará cerca de 30% do valor cobrado na análise do sangue. “O exame de sangue custa mais de R$ 100. A troca vai reduzir custo para o pacientes e até para o SUS [Sistema Único de Saúde]”, diz o médico.
De acordo com Bacal, a insuficiência cardíaca é a etapa final de uma série de doenças que atingem o coração, como miocardites, doença de chagas e infartos. O órgão fica debilitado e passa a bombear o sangue com menos força; isso causa retenção de líquidos, inchaços, acumulo de água no pulmão e principalmente falta de ar e cansaço excessivo aos esforços.
“Cerca de 10% dos pacientes que atingem esse nível da doença necessitam de transplante e aproximadamente 50% correm o risco de morrer”, por isso a importância de um diagnóstico precoce, afirma o médico.
Pesquisa
O estudo dessa nova técnica surgiu quando se observou que os pacientes em fase avançada da doença exalavam um forte cheiro pela boca ao falar. “O hálito deles tem um odor peculiar, que chamou a atenção. A pesquisa investigou qual era esse elemento [que causava o cheiro] e identificou a acetona como um novo biomarcador da doença, capaz de confirmar a insuficiência cardíaca”, explica Bacal.

O médico, porém, destaca que a análise do sangue exige uma estrutura para ser feita. “No novo aparelho, atualmente pegamos o ar exalado, condensamos com um processo de resfriamento, levamos o líquido para o laboratório e o resultado sai em horas. Mas, com algumas evoluções, vamos conseguir com que o resultado saia imediatamente, no próprio aparelho. Isso vai possibilitar um encaminhamento mais imediato para o tratamento especializado”.
O estudo tem parceria do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Segundo Bacal, o próximo passo é levar a pesquisa para outras universidades. “Vamos tentar aprimorar o aparelho de coleta do ar exalado e depois conseguir uma parceria com indústrias para o desenvolvimento tecnológico. Se tudo der certo, dentro de um ou dois anos a técnica já estará disponível".