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sábado, 4 de agosto de 2012

NOVOS REMÉDIOS TORNARÃO O CÂNCER UMA DOENÇA CRÔNICA


O cirurgião oncologista Rogério Neves acredita que estamos entrando em uma nova era no combate ao câncer. Com a descoberta de novos tratamentos específicos para cada tipo de tumor, em pouco tempo a doença poderá se tornar crônica, sem necessariamente matar os pacientes. Brasileiro, Neves é professor da Penn State University, nos Estados Unidos, onde é diretor do Programa de Melanoma e Oncologia Cutânea e está diretamente envolvido na pesquisa de novas drogas para o câncer de pele. Ele esteve em São Paulo, onde participou do XIV Congresso Mundial de Câncer de Pele, que termina neste sábado. Neves falou sobre as terapias alvo para o carcinoma basocelular. Em entrevista ao site de Veja, Neves fala sobre os novos tratamentos que compara o novo momento do combate ao câncer à descoberta da penicilina e afirma ainda que  o que podemos esperar do futuro.
Por que temos visto tanto avanço no combate ao câncer?
Isso começou há menos de 20 anos, com os projetos de leitura do genoma do câncer. Naquela época, levava dois anos para sequenciar um tumor. Hoje, faço isso em meu laboratório em uma hora. Ficou muito mais fácil saber as diferenças entre os tumores. Antes, quando nos deparávamos com o mesmo tipo de câncer, no mesmo lugar, em dois pacientes, não víamos diferença. Mas de repente percebíamos que um deles era mais agressivo: uma pessoa morria dentro de três meses, a outra estava viva três anos depois. A gente não sabia por que isso acontecia. Era claro que havia alguma coisa diferente dentro do tumor, mas não sabíamos o que era. Agora estamos começando a descobrir. São genes diferentes, que são ativados ou desativados dependendo do caso, ou proteínas que são expressas dependendo da circunstância. Sabendo disso, conseguimos inventar terapias alvo, voltadas para cada tipo específico de câncer.
O que essas terapias significam na luta contra o câncer? Estamos perto de uma cura? 
Eu não acredito que vamos encontrar a cura do câncer, nem em três gerações. Até porque temos muitos tipos de tumores, mais de 300. O que vai acontecer é que para a geração dos meus filhos, a maioria dos cânceres vai ter se tornado uma doença crônica. Uma doença com a qual a pessoa vai poder conviver, sem necessariamente morrer por causa dela. Numa hora, um tumor vai aparecer, e o médico vai retirar, numa outra, o paciente vai ter que trocar o tratamento. Mas ele vai continuar vivo.
Vai ser parecido com o tratamento atual contra a Aids, onde o paciente consegue controlar a doença ao consumir um coquetel de remédios?
Vai ser exatamente igual. É isso que estamos buscando. Para tratar o melanoma, por exemplo, já estão surgindo coquetéis de medicamentos. O objetivo é controlar os vários caminhos pelos quais o câncer pode crescer. Novas drogas estão surgindo num ritmo incrível. Na área do melanoma, não surgia nada novo há 30 anos. Isso é muito excitante.
E quais as novidades no tratamento do melanoma? 
Uma análise genética dos melanomas mostra que, pelo menos, 50% deles têm uma mutação em um gene chamado BRAF. Foi criada uma droga, chamada debrafenib, que age especificamente nessa mutação. Ela entra na célula e bloqueia esse mecanismo que a faz crescer descontroladamente. Na outra metade dos melanomas, no entanto, você não pode aplicar o remédio, porque pode piorar o tumor. Por isso, o tratamento contra o câncer vai ter que ser totalmente personalizado.
Temos exemplos desse tipo de tratamento em outros cânceres de pele?
Sim, e até mais efetivos. Em nosso laboratório, nós estamos estudando substâncias para tratar o carcinoma basocelular, o tipo mais comum de câncer de pele. Nós participamos de testes com o vismodegib, uma droga que teve resultados tão bons que foi aprovada há seis meses nos Estados Unidos para uso em tumores avançados. Agora, estudamos drogas parecidas com essa, para descobrir qual pode ser o melhor tratamento. Existe uma gama grande de novas drogas disponíveis, que atingem o mesmo mecanismo no tumor.
E qual mecanismo é esse? 
Ela atua sobre o que chamamos de via de sinalização Hedgehog, um conjunto de eventos e sinais que regulam o desenvolvimento celular. Normalmente, essa via está inibida. Mas quando ela sofre mutações, causadas por exemplo pelos raios ultravioleta, começa a fazer as células crescerem e se multiplicarem de maneira desorganizada. A droga que age nesse mecanismo foi descoberta de maneira acidental, na década de 1950, nos Estados Unidos. Alguns bezerros começaram a nascer ciclopes, com um só olho. Ao estudar o caso, cientistas descobriram que eles estavam comendo uma planta que agia justamente na Via de Hedgehog. A indústria farmacêutica mudou a molécula para que ela pudesse agir nos tumores desencadeados por esse mecanismo. E até 90% dos carcinomas basocelulares têm alterações nessa via. Por isso, o tratamento é muito promissor.
Esses remédios são capazes de erradicar o carcinoma de um paciente?
Em alguns casos, sim. No primeiro estudo com a substância, tivemos entre 60% e 70% de resposta completa, com o sumiço total do tumor. Em outra boa porcentagem, houve resposta parcial. Nesses casos, o câncer diminuiu ou parou de crescer. O que é ótimo, porque podemos operar esse paciente. Imagina um caso onde o carcinoma atinja a região dos olhos, o nariz ou a orelha do paciente. Diminuindo seu tamanho, podemos tornar a cirurgia menos mutiladora.
E como a comunidade médica está reagindo a essas descobertas? 
Tente imaginar como foi quando descobriram a penicilina, o tanto de vidas que puderam ser salvas. É assim que estamos nos sentindo nesse momento.

CÂNCER DE PELE
O câncer de pele é o câncer mais frequente no Brasil e corresponde a 25% de todos os tumores malignos registrados no país. Se for detectada precocemente, a doença apresenta altos percentuais de cura. Entre os tipos de câncer de pele mais frequentes está o carcinoma basocelular, responsável por 70% dos diagnósticos.
CÂNCER DE PELE MELANOMA
O melanoma tem origem nas células produtoras de melanina, substância que dá cor à pele. Esse tipo de câncer de pele é menos frequente, sendo responsável por apenas 4% de todos os tumores malignos no país. Estimativas do Inca sugerem que, em 2012, teremos 6.230 novos casos da doença.
CARCINOMA BASOCELULAR
O carcinoma basocelular costuma desenvolver-se em superfícies da pele que estão expostas à radiação solar como face, couro cabeludo, orelha, mãos, dorso e pernas. Os tumores começam com formações muito pequenas, brilhantes, duras e salientes. Geralmente, a doença cresce lentamente e não provoca dor. O tratamento, se realizado nas fases iniciais, é muito simples e resulta quase sempre na cura do tumor.
FONTE: VEJA

quarta-feira, 25 de julho de 2012

ESTUDO ATRIBUI 794 MORTES AO ANO NA EUROPA A BRONZEAMENTO ARTIFICIAL


Estudo publicado nesta terça-feira (24) no site do "British Medical Journal" aponta que de 63.942 novos casos de melanoma (um tipo de câncer de pele) diagnosticados a cada ano na Europa, incluindo Reino Unido, França e Alemanha, 3.438 (5,4%) estão relacionados ao bronzeamento artificial.
O levantamento associa 794 mortes ao uso dos equipamentos de bronzeamento (498 homens e 296 mulheres).
Os pesquisadores do Instituto Internacional de Pesquisa de Prevenção, na França, e do Instituto Europeu de Oncologia, na Itália, analisaram resultados de 27 estudos sobre câncer de pele e uso de camas de bronzeamento artificial entre 1981 e 2012.
O número total de casos de câncer de pele incluídos na análise foi 11.428. Os autores chegaram à conclusão de que o bronzeamento artificial implica num aumento de 20 % no risco de ter um melanoma – se o usuário do equipamento tiver menos de 35 anos, as chances dobram. Cada sessão anual de bronzeamento, calculam, oferece um aumento de 1,8% no risco de ter um melanoma.
Os autores concluem que o melanoma e outros cânceres de pele associados com o uso de equipamentos de bronzeamento artificial podem ser prevenidos simplesmente evitando-se essa prática. Eles argumentam que a indústria não demonstrou uma capacidade de "autorregulação eficaz”.
A prevenção deve ser baseada em "ações mais duras", defendem. O bronzeamento artificial para jovens com idade inferior a 18 anos, por exemplo, deve ser restrito, dizem os autores. Sem supervisão, a prática deve deve ser proibida, como acontece na Austrália e vários países da Europa, acrescentam.
FONTE: G1

sexta-feira, 11 de maio de 2012

GENOMA DO MELANOMA CONFIRMA QUE EXPOSIÇÃO AOS RAIOS ULTRAVIOLETA AUMENTA NÚMERO DE MUTAÇÕES


O sequenciamento do genoma completo do melanoma confirma que a exposição aos raios ultravioleta aumenta o número de mutações que originam a doença e revela um novo gene vinculado a ela, informa um estudo publicado na última quarta-feira (9) pela revista Nature.
O melanoma, uma forma agressiva e letal do câncer de pele, tem uma incidência cada vez maior no mundo, já que a cada ano se multiplica por dez o número de afetados.
"Nosso estudo oferece a primeira visão em alta resolução do mapa genético de um conjunto de melanomas metastáticos e demonstra o papel da radiação ultravioleta para produzir mutações relacionadas a esses tumores", explica em seu artigo Levi Garraway, pesquisador principal do estudo.
Sua equipe, formada por cientistas das universidades de Harvard e MIT (EUA), sequenciou o genoma completo de 25 melanomas metastáticos - aqueles que já se disseminaram a outra parte do corpo - e mediu o número de mutações genéticas em pacientes com diferentes níveis de exposição aos raios ultravioleta.
A porcentagem mais alta delas foi registrada em um paciente com melanoma com uma exposição crônica ao sol, enquanto era intermediária entre os pacientes que tinham recebido raios ultravioletas sobre tronco e extremidades e baixa entre aqueles que só o tinham tomado sobre braços e pernas.
Além desta conclusão, os pesquisadores identificaram um conjunto de mutações genéticas recorrentes que não tinham sido relacionadas antes com o melanoma e que afetam sobretudo o gene denominado PREX2.
Os cientistas estudaram este gene separadamente em 107 melanomas humanos e concluíram que o DNA foi alterado em 14% deles.
Estudos prévios tinham relacionado as mutações deste gene com a aparição do câncer de mama, mas esta é a primeira vez que se vincula ao melanoma.
Embora sua função no câncer de pele esteja ainda para ser determinada, a equipe de Garraway acredita que poderia ser responsável de acelerar a formação do tumor.
A pesquisa também revelou um "grande número" de mutações que afetam outros genes além do PREX2, ressaltou Garraway, e que conformam um "espectro de aberrações genéticas".
Descobrir o papel dessas mutações na aparição e desenvolvimento do melanoma permitiria novos avanços na compreensão da biologia dos tumores e na busca de tratamentos que se necessitam com urgência, concluiu Garraway.
FONTE: UOL

segunda-feira, 2 de abril de 2012

CASOS DE MELANOMA AUMENTARAM OITO VEZES ENTRE JOVENS NOS ÚLTIMOS 40 ANOS

Um novo estudo da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, revelou que as taxas de melanoma, um tipo grave de câncer de pele, vêm aumentando, especialmente entre pessoas com menos de 40 anos de idade. A mortalidade em decorrência dessa doença, no entanto, caiu ao longo dos anos. A pesquisa ainda identificou que as mulheres são as mais atingidas pelo melanoma, grande parte devido ao uso de câmaras de bronzeamento. Esses resultados foram publicados na edição de abril da revista Mayo Clinic Proceedings.



Segundo o dermatologista e coordenador do estudo, Jerry Brewer, a equipe havia previsto que os resultados do trabalho apontariam, assim como outras pesquisas o fizeram, para taxas crescentes em relação aos casos de câncer de pele. "No entanto, encontramos uma incidência maior do que a relatada pelo Instituto Nacional do Câncer, principalmente um dramático aumento entre mulheres de 20 a 40 anos", diz o pesquisador.
A equipe se baseou em dados do Projeto de Epidemiologia de Rochester, que abriga, durante várias décadas, informações de pacientes tratados em Olmsted County, um município de Minnesota, nos Estados Unidos. Os pesquisadores identificaram os casos de pessoas que haviam sido diagnosticados pela primeira vez com câncer de pele quando tinham de 18 a 39 anos de idade e entre o período de janeiro de 1970 e dezembro de 2009.
Resultados — Após esse levantamento, a equipe concluiu que, embora as taxas do câncer sejam, no geral, maiores entre o sexo masculino, o oposto pode acontecer quando comparados jovens adultos. Os autores do estudo observaram que, entre 1970 e 2009, a incidência de melanoma aumentou oito vezes entre as mulheres e quatro vezes entre os homens dessa faixa etária.
De acordo com os pesquisadores, o aumento dos casos da doença entre jovens pode ser atribuído, entre outras coisas, ao uso das câmaras de bronzeamento. "Um estudo recente relatou que pessoas que usam essas máquinas de bronzeamento aumentam em 74% os riscos de desenvolver melanoma. Além disso, nós sabemos que as mulheres jovens costumam usar mais o dispositivo do que as mais velhas ou do que os homens", diz Brewer.
MELANOMA
Um tipo de câncer de pele com origem nas células produtoras de pigmentos (melanócitos). Apesar de ser um tipo menos comum de câncer de pele, é considerado o mais grave por geralmente resultar em metástase. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, estima-se que em 2012 serão 6.230 novos casos no Brasil. Em 2009, 1.392 pessoas morreram por causa da doença.



FONTE: MELANOMA