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domingo, 6 de maio de 2012

CIENTISTAS DESCOBREM MECANISMO QUE FAZ MOLÉCULA AMPLIAR O TAMANHO DOS TUMORES


Logroño (Espanha), 6 mai (EFE).- Pesquisadores espanhóis descobriram o mecanismo pelo qual uma molécula, denominada Pamp, aumenta o tamanho dos tumores, fato investigado e comprovado sobre uma cepa de ratos geneticamente modificados.

O chefe do grupo de Angiogênese da Área de Oncologia do Centro de Pesquisa Biomédica de La Rioja (Cibir), Alfredo Martínez, e o pesquisador pós-doutoral deste grupo, Ignacio Larráyoz, são os autores da descoberta que, segundo disseram à Agência Efe, também tem aplicações no âmbito da nanotecnologia, sobretudo nas nanomáquinas.

Martínez, cujo grupo trabalha há anos com esta molécula, explica que já se tinha comprovado que, quando se elimina ou se reduz os níveis de Pamp, os tumores crescem mais devagar porque se freia a reprodução e migração das células tumorais, o que reduz a produção de metástases e o processo de angiogênese - formação de vasos sanguíneos no tumor.

Mas agora ele e Larráyoz encontraram a razão deste comportamento. O motivo é que os elementos do citoesqueleto, que dão rigidez e mobilidade à célula, são influenciados pela presença de Pamp.

Esta molécula, explica o especialista, influi na flexibilidade dos microtúbulos - componentes do citoesqueleto - e na velocidade com a qual os elementos que fazem parte da célula se movimentam em seu interior.

A pesquisa demonstra que, quando se elimina esta molécula - que já se sabe influir no crescimento dos tumores -, o citoesqueleto fica mais rígido e os componentes celulares se movimentam a uma velocidade menor dentro da célula. Por isso, a célula tumoral tem mais problemas para se desenvolver, destaca Martínez.

Esses pesquisadores também identificaram uma série de anticorpos e de moléculas de pequeno tamanho que são capazes de interferir no funcionamento dessa molécula e, portanto, de reduzir o crescimento do tumor.

Larráyoz detalha que esse aspecto sobre a velocidade do trânsito intracelular foi demonstrado primeiro em um tubo de ensaio e, depois, em células vivas - foram obtidas cepas de ratos geneticamente modificados, dos quais lhe eliminaram o gene que produz o Pamp.

Comprovou-se que, nos ratos que careciam de Pamp, as mitocôndrias, responsáveis pelo fornecimento de energia, se deslocavam mais devagar que as dos ratos munidos dessa proteína. A experiência também recuperou a velocidade original ao acrescentar Pamp de fora dos neurônios que não o tinham.

Agora será preciso estudar se o Pamp é uma boa substância para desenvolver novos medicamentos antitumorais e analisar se esta molécula tem algo a ver com o fato de que algumas doenças neurológicas crônicas, como Alzheimer e Parkinson, se caracterizam por um movimento lento das mitocôndrias do interior dos neurônios.

Esta descoberta, segundo Martínez, permite entender melhor a biologia do citoesqueleto, especificamente quais são as moléculas que regulam a velocidade dos componentes celulares, mas também tem uma aplicação no campo das nanomáquinas.

As nanomáquinas são dispositivos muito pequenos que utilizam componentes da célula para movimentar coisas dentro de um chip de poucos milímetros de forma muito precisa. Segundo esta pesquisa, acrescentar Pamp a esse sistema aumentaria a velocidade do movimento.

As nanomáquinas - que se aplicam, por exemplo, à criação de sensores - ainda não são exploradas industrialmente e não são vendidas no mercado, pois só são utilizadas em laboratórios. Por isso, Martínez e Larráyoz entendem que se anteciparam "muito" à possível aplicação de sua descoberta.

FONTE: UOL

sexta-feira, 6 de abril de 2012

NANOPARTÍCULAS ANTICÂNCER SÃO USADAS COM SUCESSO EM TESTES NOS EUA



Pacientes com câncer avançado mostraram resultados positivos em primeira fase de pesquisa que usa nanotecnologia para tentar combater a doença

O primeiro teste clínico com nanopartículas programadas para um tratamento anticâncer mais concentrado e com menos efeitos colaterais do que a quimioterapia teve resultados positivos, segundo estudo publicado nesta semana, nos Estados Unidos. Parte dos participantes do estudo, que sofriam de câncer em estágios avançados, tiveram o crescimento do seus tumores estabilizados ou reduzidos. O trabalho foi apresentado na conferência anual da Associação Americana de Pesquisas sobre o Câncer, realizada em Chicago, e publicado simultaneamente na versão online da revista médica americana Science Translational Medicine.

"Esta técnica pode revolucionar potencialmente o tratamento do câncer", afirmou Omid Farokhzad, médico do Hospital Brigham de Boston, professor da Universidade de Harvard e um dos principais autores do estudo.
A nanopartícula, chamada BIND-014, foi desenvolvida pela companhia BIND Biosciences, com sede em Massachusetts. "Este é o primeiro tratamento deste tipo utilizado em humanos para qualquer tipo de doença", disse Farokhzad. "A BIND-014 mostrou pela primeira vez que é possível produzir nanomedicamentos programáveis capazes de concentrar efeitos terapêuticos multiplicados diretamente no coração da doença", explicou o doutor Farokhzad. O princípio ativo usado foi o docetaxel, comercializado com o nome de Taxotere.
A pesquisa — O teste clínico de fase 1 do estudo foi feito com um pequeno grupo de 17 pacientes que sofriam de diferentes tipos de câncer em estágio avançado. O teste provou ser seguro e produziu efeitos em "praticamente todos os participantes", mas especialmente em seis deles, nos quais os efeitos foram mais destacados. Neste grupo, uma paciente teve redução do tumor no colo do útero, enquanto outros cinco tiveram seus cânceres (de pâncreas, ânus, cólon, vias biliares e garganta) estabilizados.
Este nanotratamento produziu efeitos favoráveis na luta contra o câncer, inclusive com doses ínfimas de anticancerígenos, que representavam até 20% do que normalmente se prescreve em quimioterapia tradicional por via oral ou em injeções. "Se tentássemos obter essa concentração em um tratamento convencional, mataríamos o paciente", diz Farokhzad. Os pesquisadores explicam que isso se deve ao fato de que as nanopartículas podem depositar no local exato onde se encontra o tumor concentrações de medicamentos até dez vezes maiores.
Os pesquisadores se disseram animados com os resultados porque as doses foram baixas, o que indica que no futuro os médicos poderiam encontrar uma forma de aplicar a quimioterapia em cânceres, direcionando o medicamento ao próprio tumor e evitando seus efeitos colaterais.
NANOTECNOLOGIA
É a parte da ciência que estuda o controle da matéria em escala atômica e molecular, entre um e 100 nanômetros. Um nanômetro equivale a um milímetro dividido em um milhão de partes. Para se ter uma ideia, o fio de cabelo possui uma espessura média de 75.000 nanômetros. Com a nanotecnologia, os cientistas conseguem produzir materiais com propriedades especiais, controlando a forma como eles absorvem e espalham a luz e conduzem eletricidade e calor, por exemplo.

FONTE: VEJA