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domingo, 2 de setembro de 2012

COMO O GOVERNO DEIXOU ESTRAGAR 55 MIL BOLSAS DE SANGUE

TRÊS MINISTROS ESCONDERAM O DESPERDÍCIO
Humberto Costa, José Gomes Temporão e Alexandre Padilha 
(da esq. para a dir.): sangue jogado fora

A cada ano, o Ministério da Saúde gasta milhões em campanhas de incentivo à doação de sangue. Boa parte dessas doações é industrializada fora do País e retorna como hemoderivados, medicamentos essenciais no tratamento de hemofílicos. A matéria-prima desse processo é o plasma sanguíneo, um insumo tão cobiçado que um litro chega a custar US$ 120 no mercado internacional – tanto quanto um barril de petróleo. O Ministério da Saúde esconde em um depósito no Distrito Federal um carregamento de 55 mil bolsas de plasma humano, avaliado em US$ 1,6 milhão, mas cuja validade está vencida há pelo menos cinco anos. O segredo, que pode causar estragos às pretensões políticas dos ex-ministros da Saúde Humberto Costa e José Gomes Temporão, além do atual ministro, Alexandre Padilha, está trancado a 50 graus negativos numa câmara frigorífica vigiada por seguranças armados.


Essa espécie de “túmulo do sangue”, como funcionários do ministério chamam o local, é apenas o fio de um novelo que está sendo deslindado em diferentes investigações pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União. Os processos, obtidos com exclusividade por ISTOÉ, atestam desvios recorrentes na produção e estocagem do plasma coletado e lançam suspeitas sobre a existência de uma nova modalidade de máfia dos vampiros, com conexões até na França. Os lotes vencidos foram coletados em 41 hemocentros e bancos de sangue de diversos Estados em 2003 e 2004, justamente o ano em que estourou o escândalo do comércio ilegal de hemoderivados, desbaratado pela Polícia Federal na Operação Vampiro. Então ministro, Costa chegou a ser indiciado por suspeita de participação no esquema. Em março de 2010, foi absolvido pela Justiça e conseguiu ser eleito senador. Agora, apenas dois anos depois, está dedicado a virar prefeito do Recife, numa estratégia para chegar ao governo de Pernambuco em 2014.
O ex-ministro terá de explicar aos promotores por que abandonou as 55 mil bolsas de sangue no depósito do ministério. Naquele momento, havia duas empresas responsáveis pelo beneficiamento do plasma: a suíça Octapharma e a francesa LFB (Laboratoire Français Du Fractionnement et des Biotechnologies S/A). Citadas no inquérito da Operação Vampiro, nenhuma delas se encarregou dos lotes. À ISTOÉ, Costa admitiu que sabia do carregamento estocado e impetrou recurso junto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região “a fim de dar aproveitamento ao produto.” O recurso, segundo ele, foi negado sob o argumento de que sua liberação poderia implicar grave prejuízo ao erário. O hoje senador diz que não acompanhou os desdobramentos do caso.



Antes de deixar o cargo em 2005, Costa criou a Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados (CGSH) e mandou fazer nova licitação, engavetada nas gestões-tampão dos peemedebistas Saraiva Felipe e Agenor Álvares e retomada apenas no final de 2007, por José Gomes Temporão. A licitação lançada por Temporão foi vencida pela francesa LFB e o contrato previa o fornecimento de hemoderivados e a transferência da tecnologia de fracionamento do plasma para a Hemobrás, estatal criada por Costa em 2004 e que até hoje não saiu do papel. “Contratamos a empresa numa licitação transparente”, afirma Temporão, que diz desconhecer o carregamento de plasma vencido.


Em ofício encaminhado ao MP sobre o caso, o coordenador-geral de sangue e hemoderivados do Ministério da Saúde, Guilherme Genovez, alega que, quando a LFB foi contratada, o plasma estocado em Brasília “já se encontrava vencido, não sendo viável a sua utilização e recolhimento no escopo do objeto do contrato”. Genovez se referia ao uso na produção dos chamados fatores 8 e 9 para o tratamento de hemofílicos. Como são mais sensíveis, esses produtos devem ser aproveitados com o plasma mais fresco. Entretanto, mesmo vencido esse prazo, ainda seria possível processá-lo para a obtenção de imunoglobulina e albumina, de uso cirúrgico. 

O Ministério da Saúde garante que negociou com a LFB um aditivo contratual, que só seria assinado em 2009. Mas, com a demora, o que restava do material também perdeu a validade. Estranhamente, a LFB disse à ISTOÉ que “desconhece o assunto”. No documento enviado ao MP, Guilherme Genovez informa que o descarte do material sofreu impedimentos sanitários nos anos seguintes e voltou a ser debatido em 2011, já na gestão do ministro Alexandre Padilha. Mas acrescenta que não há ainda cronograma nem método para o descarte. Ao ser questionado pela reportagem, Padilha informou por meio da assessoria de imprensa que já está com edital pronto para escolher em 30 dias a empresa que fará o descarte do material.

O problema com os hemoderivados não se restringe ao caso do depósito em Brasília. ISTOÉ obteve com exclusividade cópia de um relatório de auditoria feita por técnicos do Ministério da Saúde nas instalações da LFB, em Lille e Lês Ulis, Paris. Os técnicos ouviram dos dirigentes da empresa explicações controversas e relataram uma série de irregularidades. O documento está na mesa de Padilha desde maio.Uma das mais graves denúncias diz respeito a uma carga de mais de meia tonelada de produtos intermediários de hemoderivados que foi estocada, sem uso. O procedimento nem sequer foi notificado ao governo brasileiro. São 673 quilos de produtos semiacabados com prazo de validade expirado cujo destino não foi informado ao Ministério da Saúde, como prevê o contrato entre o governo e a LFB. Outro lote ainda maior, com quase 1,2 tonelada de princípio ativo para a produção de hemoderivados, também se encontrava estocado, em regime de quarentena e prazo de validade próximo de expirar. Uma terceira carga de 1,5 tonelada foi totalmente perdida por desvios de qualidade durante o processo produtivo.

Surpreendeu os técnicos o fato de a LFB usar na produção do fator 9 (aquele para o tratamento de hemofílicos) lotes de 2,8 mil litros num equipamento com capacidade máxima de 2,2 mil litros, “implicando com isso a perda de aproximadamente um lote de produto acabado para cada quatro descongelamentos de plasma”. Os técnicos do ministério calcularam o descarte de plasma em aproximadamente 30%, quase o dobro do limite de 15%. Além dos descartes irregulares, a auditoria atestou divergências entre o rendimento do plasma declarado pela LFB e o apurado pelos técnicos, em alguns casos de até 50% a menos. O ministério diz que solicitou à empresa indenização dos produtos e ameaçou com multas e sanções.

Para o procurador do TCU Marinus Marsico, as informações colhidas pela auditoria do Ministério da Saúde são “extremamente graves”. Na sexta-feira 31, ele entrou com pedido de investigação complementar na corte, no qual também alerta sobre a assinatura pelo governo de aditivos suspeitos aos contratos com a LFB. Segundo o procurador, pode ter havido burla à lei de licitações e até a “execução concomitante de dois contratos com objetos iguais”, a fim de ocultar alguma irregularidade ou pagamento em duplicidade. A “irregularidade” a que Marinus se refere, embora não expressamente, teria a ver com suspeitas de existência de um mercado negro de plasma, que se aproveita da falta de controle governamental. Por ora, não há provas desse comércio ilegal. Indícios claros aparecem em trecho do relatório da auditoria, no qual técnicos questionam o desaparecimento de princípios ativos de hemoderivados. Na reunião que discutiu a auditoria, a desconfiança era tanta que o diretor de qualidade da LFB, Robert Vedeguer, precisou defender a honra de seus funcionários. “Eu gostaria de convencer o Ministério da Saúde da honestidade dos técnicos da LFB”, disse. Por meio da assessoria de imprensa, a LFB garantiu que “não há possibilidade de uso irregular ou desvio de destinação do plasma enviado à França”.

As suspeitas de desvio de plasma para o mercado negro estão sendo investigadas pelo promotor de Justiça do Distrito Federal, Moacyr Rey Filho. As pistas foram dadas pelo médico Crescêncio Antunes da Silveira Neto, ex-secretário de Gestão Participativa do Ministério da Saúde e ex-conselheiro da Hemobrás, na gestão Temporão. Em depoimento, Antunes disse que “suspeita que os desvios ocorram em vários Estados e em número maior no Rio de Janeiro, em São Paulo e na Bahia”. Para sustentar sua tese, ele apresentou planilha com registros de descarte exagerado do Hemocentro de Brasília. Seja como for, só uma apuração aprofundada poderá determinar se todo esse desperdício de sangue é o sintoma mais evidente da existência de uma nova máfia no setor ou apenas resultado do descaso e da incompetência.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

COMO FUNCIONA O APARELHO DE MEDIR PRESSÃO


Aquele torniquete que o médico coloca no seu braço tem um nome complicado – esfigmomanômetro – mas o funcionamento não guarda segredos. Apertando o braço de fora para dentro, o aparelho descobre qual a pressão que vem de dentro para fora, ou seja, aquela que o sangue faz nas artérias. “Por meio desse princípio, conseguimos saber qual é a pressão tanto na sístole, o momento em que o coração se contrai, quanto na diástole, quando ele relaxa, se enche de sangue e prepara-se para bombear de novo”, explica Maria Teresa Zanella, médica especializada em hipertensão da Universidade Federal de São Paulo.
Para dizer que sua pressão é  120 por 90, a mais normal, o médico fecha o caminho para o sangue.
1. Primeiro, o doutor infla o aparelho até bloquear a artéria. Em seguida, encosta um estetoscópio nela e libera o ar. O som do primeiro batimento avisa que pressão de dentro se igualou à do aparelho e o sangue voltou a correr. Então, a pressão sistólica, que ocorre quando o coração bombeia (o 120 do exemplo acima), aparece no marcador.

2. Quando o médico pára de ouvir o sangue correndo na atéria, olha de novo o marcador do aparelho. Ele sabe que aquele é o momento em que está ocorrendo a pressão mínima (diastólica), que no exemplo acima corresponde a 90.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

MICROCHIP PROMETE DETECTAR DOENÇAS CARDÍACAS EM ATLETAS


Um laboratório em Portugal está testando um microchip que promete ajudar atletas profissionais, como jogadores de futebol, a prevenirem mal súbito, doença que muitas vezes leva à morte.
Uma pesquisa realizada na Universidade Técnica de Lisboa revelou mutações no DNA que podem antecipar falhas no coração difíceis de serem previstas.
A metodologia do mecanismo é simples: o DNA obtido a partir de uma amostra de sangue é colocado dentro do microchip e a leitura dos genes e mutações é feita a laser.
Os resultados definitivos são obtidos entre cinco dias e quatro semanas. Atualmente, tais resultados são gerados entre oito e 18 semanas.



FONTE: R7

quarta-feira, 2 de maio de 2012

CIENTISTAS ENCONTRAM AMOSTRA MAIS ANTIGA DE SANGUE HUMANO



Um grupo de cientistas anunciou a descoberta das amostras de sangue humano mais antigas já encontradas. Em estudo publicado nesta quarta-feira na revista Royal Society, os pesquisadores revelam ter identificado glóbulos vermelhos conservados no corpo mumificado de Otzi, descoberto em 1991 em uma geleira entre Áustria e Itália. 
A múmia, muito bem conservada pelo gelo, continha tecidos intactos ao ser descoberta, e inclusive elementos do sistema nervoso, mas estudos anteriores não tinham conseguido detectar nenhum rastro de sangue. O DNA de Otzi foi sequenciado em março desde ano.
A princípio, os pesquisadores que estudaram o corpo de Otzi pensaram que seu sangue tinha sido destruído com a passagem do tempo, até que estudos mais profundos revelaram rastros de resíduos sanguíneos em suas numerosas feridas.
"Até o momento, não se sabia por quanto tempo o sangue podia sobreviver e sobretudo como seriam as células sanguíneas tão antigas", explicou o antropólogo Albert Zink.
Com um microscópio de alta precisão, os cientistas examinaram amostras extraídas da ferida que Otzi tinha na mão direita e de outra causada por uma flecha na omoplata, osso do tórax.
Os pesquisadores encontraram três estruturas com forma de disco côncavo, formato típico dos glóbulos vermelhos contidos no sangue humano.
"Sua morfologia não mostrava nenhum sinal de degradação, de danos ou de desordem" o que indica, segundo os investigadores, que "os glóbulos vermelhos foram preservados durante mais de 5 mil anos nos tecidos feridos da múmia."
Posteriormente, os pesquisadores submeteram as amostras a um método para detectar a composição molecular e descobriram que o material encontrado nas feridas de Otzi era similar ao encontrado em glóbulos vermelhos humanos.
Os pesquisadores notaram, no entanto, uma leve diferença nos glóbulos vermelhos de Otzi, que poderia ser explicada pelo fato de que os ferimentos teriam começado a coagular.
"Essa observação confirma que Otzi sofreu múltiplos ferimentos antes de sua morte", descartando a hipótese de uma morte súbita.
No estudo, os autores ressaltam a importância da descoberta explicando que a análise de amostras de sangue são amplamente usadas pela ciência forense na análise de cenas de crime.
OTZI
Otzi foi encontrado por um casal de alpinistas alemães em uma geleira dos Alpes de Ötztal, na fronteira da Áustria com a Itália, em 1991. O homem foi morto provavelmente por um ferimento no ombro causado por uma flecha, há 5.300 anos. Otzi — nome dado em homenagem ao local em que foi encontrado — viveu no período conhecido como Idade do Cobre, situado cronologicamente entre o Neolítico e a Idade do Bronze, que compreende os anos entre 2.500 e 1.800 a.C.
FONTE: VEJA