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quinta-feira, 14 de junho de 2012

PRIMEIRA VEIA FEITA COM CÉLULAS TRONCO É USADA EM CRIANÇA

Médicos na Suécia substituíram um vaso sanguíneo bloqueado em uma menina de dez anos usando a primeira veia criada em laboratório a partir de células-tronco da própria paciente.

A operação, relatada na versão on-line da revista médica "The Lancet" nesta quinta (14), marca o avanço na busca de novas formas para fabricar partes do corpo.

A técnica pode abrir as portas para enxertos feitos com células-tronco que podem, por exemplo, ser usados em cirurgias para revascularizar o coração ou em pacientes que precisam de hemodiálise mas não têm vasos adequados.

A equipe sueca agora diz que está trabalhando com uma empresa para comercializar a técnica.

"Acredito que em um futuro próximo vamos conseguir transplantar veias e artérias em larga escala", afirmou Suchitra Sumitran-Holgersson, professora de biologia de transplantes na Universidade de Gothenburg e membro do grupo que realizou a operação na menina, em março de 2011.

A vantagem de usar tecido criado a partir das células do próprio paciente é que não há risco de rejeição. Assim, também não há necessidade de usar remédios imunossupressores para combater a rejeição pelo resto da vida, como é comum em transplantes.

EVOLUÇÃO

Há quatro anos, uma mulher de 30 anos recebeu o primeiro transplante do mundo feito com uma traqueia desenvolvida de forma similar. O órgão foi retirado de um doador e suas células foram eliminadas, restando só a estrutura do tubo, feito de proteínas. As células-tronco da paciente foram então usadas para repovoar o tubo e formar a traqueia. Outras operações desse tipo já foram feitas desde então.


O caso revelado agora envolveu uma menina com uma obstrução na veia porta hepática, que leva o sangue do intestino e do baço para o fígado. Esse bloqueio pode causar a morte.

A equipe da Universidade de Gothenburg extraiu um pedaço de 9 cm de uma veia da virilha de um doador morto e removeu todas as células. Restou só o tubo, feito de proteínas. As células-tronco extraídas da medula óssea da menina foram injetadas no tubo e, duas semanas depois, o enxerto foi implantado.

O fluxo sanguíneo voltou ao normal imediatamente com a ajuda da nova veia, dizem os médicos. Mas, depois de um ano, o vaso se estreitou e um novo enxerto foi feito.
Martin Birchall e George Hamilton, da University College London, afirmaram em um comentário também publicado no "Lancet" que os médicos suecos pouparam a menina do trauma de ter uma veia retirada de partes profundas do pescoço ou da perna e evitaram um transplante de fígado.


Mas eles fizeram ressalvas à técnica, destacando a necessidade de testes clínicos e do desenvolvimento de um processo de produção da veia com maior controle de qualidade.

A pesquisadora Sumitran-Holgersson disse que sua equipe já simplificou o processo. As células-tronco podem ser extraídas do sangue em vez da medula óssea, de forma menos invasiva.


Ela quer testar a técnica com artérias ainda neste ano.

"Vamos ver mais e mais desses enxertos personalizados no futuro", afirmou.

A parceria com uma empresa deve permitir a exploração comercial da técnica, o que pode levar à oferta de tubos a partir dos quais os vasos personalizados poderão ser construídos.
No mundo, cientistas desse novo campo da medicina regenerativa trabalham para desenvolver diferentes órgãos e tecidos em laboratórios, incluindo pulmões e corações.
Mas construir órgãos tão complexos é muito mais difícil do que fazer vasos sanguíneos.


FONTE: FOLHA

MENINA SUL-AFRICANA RECEBE CLONE DA PRÓPRIA PELE EM TRANSPLANTE



A menina sul-africana Isabella Krueger tinha 10% de chances de sobreviver às queimaduras que atingiram cerca de 80% de seu corpo.

Ela foi vítima de um acidente com querosene, pouco antes do Ano Novo.

Seis meses depois, Isabella, que tem apenas três anos de idade, recebeu um transplante de pele inédito, o primeiro do tipo realizado na África.

A pele dela foi clonada em um laboratório em Boston, nos Estados Unidos, e levado para a África do Sul.

FONTE: FOLHA

quinta-feira, 24 de maio de 2012

BEBÊ RECEBE O MENOR CORAÇÃO ARTIFICIAL DO MUNDO


Médicos italianos salvaram a vida de um menino de um ano e meio de idade graças à implantação do menor coração artificial do mundo para manter o bebê vivo até que um doador fosse encontrado para um transplante.

Os médicos do Hospital Bambino Gesu de Roma disseram que a operação foi realizada em abril e tornada pública nesta semana.

O bebê, cuja identidade não foi revelada, foi mantido vivo por 13 dias antes do transplante e agora está bem.

O bebê sofria de miocardiopatia dilatada, uma doença em que os ventrículos se dilatam, sendo incapazes de bombear um volume de sangue suficiente.

A doença gradualmente torna o coração mais fraco, parando a sua capacidade de bombear o sangue de forma eficaz.

"Este é um marco", afirmou o cirurgião Antonio Amodeo, à Reuters TV, acrescentando que, embora o dispositivo seja agora usado como ponte até um transplante, no futuro poderia ser permanente.

Antes do implante, a criança também teve uma infecção grave em torno de uma bomba mecânica que tinha sido colocada anteriormente para ajudar o funcionamento do seu coração natural.

"Do ponto de vista cirúrgico, isto não era realmente difícil. A única dificuldade que encontramos é que a criança foi operada várias vezes antes", disse ele.

A pequena bomba de titânio pesa apenas 11 gramas e pode lidar com um fluxo de sangue de 1,5 litro por minuto. Um coração artificial para adultos pesa 900 gramas.

Amodeo disse que o bebê havia se tornado parte da família e sua equipe queria fazer de tudo para ajudá-lo.

"O paciente estava em nossa unidade de terapia intensiva desde um mês de idade. Então ele era um mascote para nós, ele era um de nós", afirmou o médico.

"Todo dia, toda hora, por mais de um ano, ele estava conosco. Então, quando nós tivemos um problema, não podíamos fazer nada mais do que o nosso melhor", disse ele.

Os médicos disseram que o aparelho, inventado pelo médico norte-americano Robert Jarvik, tinha sido previamente testado apenas em animais.

O hospital precisava de autorização especial de Jarvik e do Ministério da Saúde italiano antes de seguir adiante com o procedimento.

FONTE: FOLHA

domingo, 22 de abril de 2012

HOSPITAL DE SP FAZ TRANSPLANTE INÉDITO DE CARTILAGEM DE JOELHO


O Hospital das Clínicas de São Paulo começou a fazer um transplante inédito no Brasil: o de cartilagem do joelho. A cirurgia é uma opção para pacientes que só tinham como tratamento a colocação de uma prótese.
No transplante, a equipe de ortopedistas inseriu um pedaço de osso e a cartilagem de um doador em uma paciente que estava com uma lesão no joelho esquerdo provocada pelo uso de remédios para leucemia.
Mariza Santos Guimarães estava com a cartilagem (a camada branca que protege a articulação) toda machucada e uma parte do osso já tinha se desgastado. No transplante, a equipe do HC colocou um pedaço de osso e a cartilagem de um doador.
Uma das vantagens do transplante é que ele se torna uma alternativa para a vida útil da prótese, que dura entre 10 e 20 anos.
De acordo com o ortopedista do HC que fez a cirurgia, Luis Eduardo Tirico, com as trocas de prótese existe o risco de infecção e de sequelas ao longo do tempo.
No entanto, o uso da técnica esbarra em um obstáculo: a dificuldade de conseguir doadores de tecidos no Brasil, em especial de cartilagem. Ossos e tendões são tecidos usados há vários anos para corrigir fraturas, mas não e fácil encontrar doadores.
No ano passado, entre mais de 2.000 doadores de órgãos no Estado de são Paulo, menos de 200 doaram o tecido ósseo e somente doze casos puderam ser aproveitados. Para os médicos o problema persiste por falta de informação.
“Um paciente doador pode beneficiar mais de 20 pacientes receptores que estão aguardando por esse tipo de tratamento”, afirma Tirico.
 
FONTE: GLOBO


quinta-feira, 19 de abril de 2012

CAMUNDONGO RECUPERA VISÃO APÓS TRANSPLANTE DE CÉLULAS

Cientistas britânicos conseguiram recuperar a visão de camundongos cegos, transplantando células fotorreceptoras sensíveis à luz em seus olhos.


O procedimento representa um avanço em direção a um novo tratamento para pacientes com doenças oculares degenerativas.
Cientistas do Instituto de Oftalmologia da Universidade College London (UCL) injetaram células de roedores jovens diretamente nas retinas dos camundongos adultos que tinham problemas de visão.
As descobertas foram publicadas recentemente na prestigiada revista científica "Nature".
Quatro a seis semanas depois do transplante, uma em cada seis das células transplantadas -- que são especialmente importantes para permitir a visão em locais escuros -- haviam formado as conexões necessárias para transmitir informações visuais ao cérebro.
Os pesquisadores testaram a visão dos roedores transplantados em um labirinto pouco iluminado e cheio de água.
O resultado é que os camundongos com as células novas conseguiam perceber o caminho que os levava a uma plataforma e os salvava da água. Já os animais que não receberam células só conseguiam encontrar a plataforma por acaso ou depois de uma extensa exploração do labirinto.
Integração de circuitos
A perda de fotorreceptores é a causa da cegueira em muitas das doenças oculares que afetam humanos, como a degeneração macular relacionada à idade, alguns problemas na retina e a perda de visão decorrente do diabetes.

Para Robin Ali, pesquisador do Instituto de Oftalmologia da UCL e do Hospital de Olhos Moorfields, que liderou os estudos, 'mostramos pela primeira vez que células fotorreceptoras transplantadas podem se integrar, de forma bem-sucedida, com o circuito já existente da retina e melhorar de fato a visão (dos camundongos)'.
Segundo Ali, o teste do labirinto serviu de 'prova' de que uma parte considerável da visão dos camundongos havia sido restaurada.
'Esperamos que, em breve, possamos reproduzir esse sucesso com fotorreceptores derivados de células-tronco embrionárias e finalmente iniciar exames com humanos', agregou.
Mas, apesar das perspectivas promissoras, ainda há muitas etapas a serem superadas até que o tratamento esteja apto para ser usado em pacientes.
Os cientistas também planejam experimentar com fotorreceptores derivados de células-tronco embrionárias, mas a eficácia de seu transplante ainda é duvidosa.
Recuperação funcional
Ainda assim, para Rob Buckle, chefe do departamento de medicina regenerativa do Medical Research Council, um dos financiadores da pesquisa, o estudo da UCL 'é um marco que servirá de informação para futuras pesquisas em uma variedade de campos, incluindo pesquisas sobre visão, neurociência e medicina regenerativa'.

'(A pesquisa) oferece provas claras de recuperação funcional no olho danificado, o que estimula o desenvolvimento de terapias com células-tronco para lidar com muitas doenças oculares que afetam milhões de pessoas pelo mundo', agregou.
Já existem outras linhas de pesquisa que tentam tratar a cegueira usando transplante celular. No ano passado, o mesmo grupo de estudos da UCL foi autorizado a realizar o primeiro teste clínico europeu envolvendo células-tronco embrionárias de humanos.
O estudo envolve pacientes com o mal de Stargardt, uma das principais causas de cegueira em jovens.
FONTE: GLOBO