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quinta-feira, 12 de abril de 2012

HOSPITAL VAI TESTAR USO DE CORAÇÃO ARTIFICIAL; PRODUTO CUSTARÁ R$ 60.000


O Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde, vai começar a testar em humanos um coração artificial totalmente nacional, desenvolvido pela equipe de bioengenharia do próprio hospital.
O projeto de desenvolvimento do aparelho começou em 1998 e foi idealizado pelo engenheiro Aron José Pazin de Andrade, responsável pelo centro de bioengenharia do instituto.
Em 2004, a equipe iniciou os testes em bezerros. Com os bons resultados, no ano passado o grupo pediu autorização para o Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os testes em humanos.
A pesquisa foi liberada e, num primeiro momento, será realizada em cinco pacientes. A ideia é que o aparelho seja usado em doentes com cardiopatias graves, que estão na fila do transplante de coração, não respondem mais ao tratamento com drogas e correm risco de morte.
O coração artificial não substituirá o órgão natural e funcionará como um auxiliar ao coração doente, para que o paciente consiga esperar pelo transplante em melhores condições clínicas.
"A gente criou um dispositivo para ser um auxiliar ao coração porque, se o aparelho falhar, o paciente ainda terá o seu coração funcionando e terá tempo de ser socorrido", diz Andrade.
O coração artificial foi feito para ser implantado no paciente e conectado ao coração natural. Ele funciona com uma bateria que fica presa ao corpo, do lado de fora, e que precisa ser trocada a cada duas horas.
Os primeiros cinco pacientes, no entanto, não terão o aparelho implantado. Por questões de segurança, eles ficarão internados e o dispositivo ficará preso do lado de fora do corpo para poder ser monitorado pela equipe.
"Estamos em teste e as pessoas não têm experiência com esse aparelho. Por isso, todo cuidado é necessário e vamos monitorá-lo 24 horas", explicou Jarbas Dinkhuysen, chefe do setor de transplante do hospital e investigador principal do projeto.
Consagrado. O uso de coração artificial em pacientes graves já é consagrado em vários lugares do mundo. Há casos de pacientes que vivem com o aparelho há oito anos e que se adaptaram tão bem que não querem mais ser transplantados.
Segundo Dinkhuysen, até hoje o maior impeditivo para o Brasil usar esse tipo de aparelho era o preço - um coração artificial importado chega a custar cerca de R$ 500 mil e o produto nacional vai custar em torno de R$ 60 mil.
"É uma tecnologia amplamente difundida, mas o Brasil está muito atrasado. O problema é que o custo desse aparelho era proibitivo", diz Dinkhuysen, acrescentando que a intenção do projeto é baratear o custo do aparelho nacional para que o SUS passe a indicar o seu uso com mais frequência.
Não há risco de rejeição - o risco que existe é o de coagulação do sangue dentro do aparelho, o que será controlado com medicação anticoagulante diariamente.
Segundo Reginaldo Cipullo, cardiologista clínico do setor de transplantes, hoje há 99 pacientes na fila do transplante em todo o Estado, sendo 37 na capital. "O índice de morte na fila de espera é de 55%. Desses 55%, o aparelho seria útil para cerca de 80%. O aparelho fará a fila de transplante cair. Será um benefício enorme para a sociedade."


FONTE: ESTADÃO

quarta-feira, 11 de abril de 2012

GAROTO DE TRÊS ANOS SOBREVIVE POR 251 DIAS COM CORAÇÃO ARTIFICIAL


Um menino britânico de três anos foi mantido vivo com um coração artificial por mais de oito meses, tempo considerado recorde para uma criança na Grã-Bretanha.
Joe Skerratt, de Kent, no sudeste britânico, foi diganosticado com cardiomiopatia dilatada, condição em que o coração tem dificuldades para bombear o sangue pelo corpo. O menino foi temporariamente ligado a um coração artificial, que ficou com a função de transportar seu sangue enquanto esperava por um doador. Após 251 dias, no ano passado, ele finalmente obteve um transplante de coração.

A mãe de Joe, Rachel, disse que a família começou a perceber a "personalidade dele voltar à vida" quando ele foi conectado ao coração artificial. Mas essa etapa foi apenas o começo de uma longa espera por um doador de órgão.

"Quando ele passou a marca de 200 dias ligado ao coração artificial, começamos a nos perguntar o que poderia ser feito caso não conseguíssemos (um doador). Mas no fundo sabíamos que não havia muito a ser feito", disse Rachel. "No 251º dia, recebemos o telefonema que esperávamos. Havia um coração."
Diagnóstico
O diagnóstico de cardiomiopatia foi feito quando Joe tinha apenas três semanas de vida. Pálido, ele foi levado ao hospital por seus pais, e um exame de raio-x mostrou que seu coração estava muito acima do tamanho normal. Os médicos identificaram que ele tinha um problema genético - a síndrome de Barth, que provoca fraqueza muscular, baixa estatura e dificuldades de alimentação.
Em dezembro de 2010, o quadro era delicado: o coração de Joe estava começando a falhar, e os médicos descobriram que suas válvulas não estavam funcionando. O órgão havia aumentado ainda mais de tamanho, ocupando espaço demais em seu peito.
Dias depois, a criança sofreu duas paradas cardíacas enquanto estava no hospital. Foi transferida para o hospital londrino Great Ormond Street, onde seu coração parou pela terceira vez. Estabilizado, ele foi conectado ao "Berlin Heart", o coração artificial, que é do tamanho de uma geladeira portátil pequena.
Algumas crianças ficam ligadas ao aparelho por apenas poucas semanas; para outras, porém, a espera por um coração pode levar meses.
'Muito tempo conosco' 

Após a cirurgia, o peito de Joe não foi fechado por quatro dias, e os pais puderam ver seu novo coração funcionando. "Ver o órgão, de tamanho normal, batendo em seu peito, foi incrível", disse Rachel. A primeira noite após a alta do hospital foi celebrada com a refeição favorita de Joe: pizza.

"Estamos realmente felizes com o fato de ele estar tão bem, depois de passar tanto tempo conosco no hospital", disse o cardiologista pediátrico Alessandro Giardini. "Somos eternamente gratos à família do doador", agregou Rachel. "Não podemos imaginar (a dor) pela qual eles passaram, mas sua generosidade durante um momento tão horrível foi incrível."
FONTE: ESTADÃO