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domingo, 26 de agosto de 2012

CIENTISTAS CRIAM TESTE RÁPIDO PARA IDENTIFICAR MEDICAMENTOS FALSOS



Cientistas norte-americanos anunciaram nesta segunda-feira (20) a criação de um novo teste capaz de detectar rapidamente se um medicamento é falsificado ou legítimo.

O teste recebeu o nome de PAD, sigla em inglês para “dispositivo de análise em papel”, e foi apresentado durante o encontro anual da Sociedade Química Americana. Ele foi feito para comprovar a autenticidade de pílulas de paracetamol, uma substância usada para aliviar febre e as dores no corpo.
No entanto, os especialistas já têm planos para adaptá-lo a antibióticos e remédios contra a malária, o que seria de grande utilidade para a medicina. Organização Mundial da Saúde estima que, no mínimo, 10% dos medicamentos usados nos países em desenvolvimento sejam falsificados. Países como Quênia, Nigéria, Índia, Vietnã e Panamá já registraram mortes causadas por esse problema.
O teste criado pela equipe de Toni Barstis, da Faculdade Saint Mary, nos Estados Unidos, consiste em um cartão de papel com substâncias químicas que reagem com o medicamento. Quando a reação acontece, o cartão muda de cor e indica qual é a substância contida no medicamento.
Para fazer o teste, a pílula deve ser partida ao meio e esfregada no cartão. Em seguida, o cartão deve ser mergulhado em água, para que as substâncias presentes no comprimido penetrem e reajam com as do cartão. Quando isso acontece, o cartão muda de cor.
O processo leva menos de dez minutos e poderia ser usado por hospitais, clínicas e agências reguladoras. Por enquanto, os criadores estimam que o custo de produção vá ficar abaixo de US$ 1,50 – cerca de R$ 3. “Esses preços devem cair significativamente com a produção em escala e melhorias nos métodos de fabricação”, afirmou Barstis.
Os testes disponíveis para a identificação de remédios falsificados geralmente são feitos em laboratórios de países industrializados. Um lote suspeito encontrado na África precisa ser enviado para a Europa ou para os Estados Unidos, e o processo leva, ao todo, entre três e seis meses.
“Nossa invenção não é analiticamente comparável aos métodos de alta tecnologia instrumental. É uma ferramenta de classificação, e não um método de detecção completa. Mas dada a grande falta de métodos instrumentais e cientistas treinados nos países em desenvolvimento, um teste rápido como o PAD é desesperadamente necessário”, completou Barstis.
Segundo a pesquisadora, o teste já poderá ser produzido em pequena escala dentro de um ano. O principal desafio dos produtores no momento é prolongar a validade do PAD e melhorar as condições de armazenamento. As primeiras remessas foram enviadas a colaboradores do projeto no Quênia.


Para áreas remotas'
Para Anil Kumar Singh, professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de São Paulo (USP) que não participou do projeto, a técnica pode ser comparada a um teste de gravidez de farmácia, que possibilitou a descoberta da gestação sem a necessidade de marcar uma consulta médica e agendar exames laboratoriais.

“Facilita principalmente para países onde não há tecnologia de ponta”, apontou o professor. Segundo ele, a ideia pode levar a uma identificação mais rápida e barata dos remédios falsificados, mas ainda precisa passar por mais exames para comprovar sua eficácia.
Só depois disso, os órgãos reguladores – no caso do Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – devem aprovar o uso do PAD ou de outras ferramentas semelhantes.
Singh, que é indiano, afirmou que a falsificação de medicamentos era mais comum antes da globalização, mas ainda existe, inclusive no Brasil. “É válido principalmente para as áreas mais remotas”, resumiu, sobre o teste.
FONTE: DIKAJOB


terça-feira, 1 de maio de 2012

USO EXCESSIVO DE ANALGÉSICOS PODE TRANSFORMAR A DOR SIMPLES E CRÔNICA


A sociedade contemporânea e sua lógica de bem-estar relacionada ao consumo nos leva a uma vida agitada e corrida em que o tempo é uma matéria-prima cada vez mais escassa e valiosa. Nossos hábitos e nossa rotina confluem sempre para que economizemos tempo, de forma que ele sobre para outra tarefa. Ao ficarmos sobrecarregados, nosso corpo dá sinais de que algo não está caminhando como deveria, seja por stress ou qualquer outra patologia que esteja se desencadeando em nosso organismo. Esses sinais vêm em formade dores que atingem, por exemplo, a cabeça e a coluna, e levam muitas pessoas ao automedicamento.
Antiinflamatórios e analgésicos, classificados  simples pelos médicos, como o ácido acetilsalicílico, a dipirona e o paracetamol são os mais consumidos. Esses remédios são facilmente comprados em qualquer farmácia brasileira, pois não requerem prescrição médica. O problema é que esses remédios têm efeito paliativo e só servem para tratar o sintoma. É o que explica o neurocirurgião e professor adjunto de Neurocirurgia do Instituto de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas, Alexandre Amaral:
“O episódio inicial da dor é um sinal de alerta que o nosso corpo nos dá, ou porque estamos tensos, ou por alguma dilatação venosa na cabeça causada por um stress. Quando fazemos a automedicação e tomamos um analgésico estamos ignorando a mensagem que o nosso corpo estava dando de que algo não ia bem”, explica.

Segundo Amaral, este procedimento dá origem a uma série de doenças, entre elas, a chamada dor crônica. Ao ignorar o sintoma inicial da dor comum, que era apenas um sinal, abrimos espaço, com a automedicação, para ela se tornar uma patologia, pois adiamos a procura pela causa do primeiro incômodo. E os riscos oferecidos pelo consumo de analgésicos em excesso, vão além: depois de tomar uma determinada dosagem de remédio por um tempo, ela deixa de fazer efeito e, naturalmente, a pessoa que sente dor e está acostumada a se automedicar passa a tomar uma dosagem maior da medicação. Se antes tomava um comprimido, passa a tomar dois, depois três. O que muita gente não sabe é que esse procedimento pode desencadear lesões estomacais e sangramentos, além de provocar náuseas e vômitos.

É o que aponta a pesquisa de Décio Chinzon, professor de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Os dados indicam que 41,2% das pessoas que procuraram o pronto-atendimento da USP, com dores de estômago, azia, vômitos, sangramento no intestino e lesões graves apresentavam estes sintomas devido à automedicação.

Não por acao, existe um tipo de dor de cabeça denominada cefaleia crônica diária que por muito tempo foi chamada de dor de cabeça por abuso de uso de analgésicos. Em 2011, o Dr. Alexandre Amaral realizou uma pesquisa com pacientes no Rio de Janeiro para averiguar como as pessoas tomam a decisão de se automedicar. De acordo com os resultados, 40% dos entrevistados se baseavam em prescrições anteriores; e 51% em sugestões de pessoas não qualificadas profissionalmente para fazer diagnósticos como amigos e farmacêuticos. A dor de cabeça foi a principal doença tratada com automedicação, seguida de infecções respiratórias como a gripe.
Em todo o mundo, antiinflamatórios e analgésicos simples como a dipirona, ácido acetilsalicílico e paracetamol são os mais consumidos; seguidos pelos antiinflamatorios não hormonais como o diclofenato potássico, que começam a ser controlados no Brasil pela exigência de apresentação da receita médica; e antirreumáticos como a nimesulida.
“A pesquisa mostra que o principal motivo para as pessoas não conseguiram se desfazer da automedicação é a falta de acesso à saúde, mesmo que elas tenham acesso ao plano privado. Isso, na minha interpretação, indica que falta uma boa conversa entre o paciente e seu médico, ou seja, que a motivação da dor não foi bem explicada ao paciente e, por isso, ele a trata com uma analgesia simples quando, na verdade, deveria tratar com prevenção. Além disso, a facilidade em adquirir estes remédios pode colaborar para o seu consumo exacerbado e suas consequências”, ressalta Alexandre Amaral.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os critérios utilizados para determinar os remédios que necessitam ou não de receita são científicos. Todos os anos, a agência atualiza a portaria 344, que define a lista dos medicamentos sujeitos a controle especial, com receita retida. Esse controle incide sobre medicamentos que causam dependência ou produzem efeitos no organismo que precisam ser bem monitorados, como a talidomida, capaz de alterar o desenvolvimento embrionário. E a fiscalização da retenção das receitas médicas para determinados medicamentos é feita em auditorias, por empresas privadas.

Para amenizar o problema, que assola não só os brasileiros, Amaral implantou no Rio de Janeiro um método, que segue a orientação mundial, chamado conversador. A ideia é educar o paciente e fazê-lo entender que a melhor forma de tratá-lo é entendendo o processo que gera sua dor.

“Além disso, fazemos um trabalho para sensibilizar as instituições municipais, estaduais e federais para que as pessoas saibam que a analgesia aumenta a cronificação da dor, e que é muito mais barato e eficaz prevenir as causas da dor crônica do que deixar os pacientes se empanturrarem de analgésicos simples”, reforça Amaral.

Para isso, ele indica um tratamento multidisciplinar que engloba acupuntura, fisioterapia, atendimento psicológico e medicamentos específicos (não analgésicos) para a eficácia da cura.

FONTE: GLOBO