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segunda-feira, 11 de junho de 2012

AÇÚCAR EM EXCESSO É CONSUMIDO POR 80% DAS CRIANÇAS


Os números são alarmantes. Durante o 8º Fórum Nacional de Alimentação Escolar, que acaba de ser realizado em São Paulo, pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que 80% das crianças brasileiras ingerem açúcar acima do nível recomendado pelos nutricionistas. E mais: enquanto isso, 89% consomem gordura além dos padrões considerados saudáveis.

O estudo foi apresentado pelo pesquisador Edilson Nascimento Silva, que também mostrou que a ingestão de fibras é 82% abaixo do recomendável pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para os nutricionistas que participaram do evento, esses números explicam o aumento verificado na obesidade da população brasileira, principalmente entre crianças e jovens.

Epidemia

“Estes dados só confirmam que a obesidade infantil tornou- se uma epidemia devido às mudanças nos hábitos alimentares das crianças e da população em geral. A genética é um fator importante na obesidade das crianças, porém não existe obesidade se não houver um desequilíbrio entre a ingestão alimentar e o gasto energético”, afirma a pediatra Lilian G. Zaboto, membro do Departamento de Obesidade Infantil da ABESO.

A Dra. Lilian explica que o consumo elevado de açúcar e gordura aumenta muito o número decalorias ingeridas em cada refeição. “A dica é que os pais evitem doces e guloseimas no dia a dia das crianças, restringindo a duas ou, no máximo, três vezes na semana”, comenta.

De acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), o excesso de peso entre meninos de 5 a 9 anos subiu de 10,9%, em 1974, para 34,8%, em 2009. Entre as meninas da mesma faixa etária, o sobrepeso aumentou de 8,6%, em 1974, para 32% em 2009.

Além de provocar obesidade, o consumo excessivo de açúcar pode acarretar doenças, como infecções, cáries, osteoporose, arteriosclerose, baixa imunidade, periodontites, aumento de glicemia e triglicérides e até mesmo o câncer. 

FONTE: ABESO

quinta-feira, 10 de maio de 2012

EXAME DE SANGUE PODERÁ INDICAR GESTANTE PROPENSA A DESENVOLVER DEPRESSÃO PÓS-PARTO


Pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, descobriram duas variantes genéticas que podem indicar se uma gestante é mais propensa a desenvolver a depressão pós-parto, transtorno psiquiátrico que afeta uma em cada cinco mulheres no Brasil. De difícil diagnóstico, o problema é negligenciado em muitos países e a criação de um exame de sangue capaz de evidenciar a suscetibilidade para o problema pode ter impactos muito positivos sobre a mãe e o bebê.
Os pesquisadores avaliaram a resposta de 200 mulheres grávidas a um teste conhecido como Escala de Depressão Pós-Natal de Edimburgo (Edinburgh Postnatal Depression Scale – EPDS)*, largamente utilizada como instrumento de triagem para identificação de quadros de depressão pós-parto. Elas foram submetidas ao teste na primeira consulta do pré-natal e entre duas e oito semanas depois do parto. Ao comparar os resultados com o exame de sangue, a equipe observou que as  gestantes com depressão pós-parto eram mais propensas a ter duas variantes genéticas que alteram a forma como receptores agem na regulação do eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal – parte do sistema endócrino que é ativado na resposta ao estresse.
Estudos anteriores já haviam indicado uma associação entre a depressão pós-parto e o eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal, mas a novidade fica a cargo da identificação de variantes específicas. ‘Demos um passo importante na caracterização dos riscos potenciais e, portanto, estamos pavimentando o caminho para o tratamento médico adequado às mulheres que estão propensas a desenvolver a  depressão pós-parto‘, afirma Dimitris Grammatopoulos, professor de medicina molecular envolvido no trabalho.
Os pesquisadores planejam agora realizar um estudo multicêntrico maior para buscar novas variantes genéticas, detalhando como atuam as alterações hormonais e a predisposição ao transtorno.
*Escala de Depressão Pós-Natal de Edimburgo. Composto por dez itens divididos em quatro graduações (0 a 3), o teste mede a intensidade de sintomas depressivos. Embora rápido, autoaplicável e simples, o método é incapaz de identificar mulheres no grupo de risco.
FONTE: ESTADÃO

sábado, 5 de maio de 2012

CIENTISTAS VOLTAM A TRABALHAR EM SUPERVÍRUS


Usando técnicas de manipulação genética, cientistas criam um supervírus capaz de eliminar grande parte da humanidade. Parece um roteiro de filme, mas está acontecendo de verdade. Dois grupos de pesquisadores, na Holanda e nos EUA, acabam de desenvolver esse vírus. "É um dos tipos mais perigosos que poderiam ser criados", admitiu publicamente o líder de uma das equipes, Ron Fouchier. Trata-se de uma versão mutante do H5N1, que causa a gripe aviária e gerou preocupação durante um surto em 2005. 

A doença é letal, mas o vírus não se propaga facilmente entre humanos. Só que os cientistas desenvolveram um H5N1 turbinado, que pode ser transmitido pelo ar - exatamente como o vírus da gripe comum, que contamina 700 milhões de pessoas no mundo todos os anos. Se escapasse do laboratório, o novo H5N1 poderia causar um número enorme de mortes. Também há o receio de que terroristas aprendam a recriar o supervírus. Por isso, a comunidade científica e os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA pediram que o estudo não fosse publicado e os responsáveis pela pesquisa interrompessem seus trabalhos durante 60 dias.

A ideia era ganhar tempo para montar estratégias de defesa. Mas agora, em março, o embargo terminou - e a pesquisa foi reiniciada. Os cientistas se defendem dizendo que o estudo é necessário e seria mais perigoso não retomá-lo: pois, conhecendo o vírus mutante, é possível trabalhar desde já para desenvolver vacinas contra ele.

terça-feira, 1 de maio de 2012

TESTE GENÉTICO PODERIA AJUDAR A PREVER CÂNCER DE MAMA


Um teste genético poderia ajudar a prever o câncer de mama anos antes de a doença ser diagnosticada, segundo uma nova pesquisa. 
O teste analisa como os genes são alterados por fatores externos, como álcool e hormônios, um processo conhecido como epigenética. 
Os cientistas acreditam que uma em cada cinco mulheres possui um tipo de "interruptor genético", ou seja, um elemento que "liga e desliga" genes, que duplica o risco de câncer de mama. 
A partir das descobertas, eles esperam desenvolver um exame de sangue simples que possa ajudar a indicar quais mulheres têm maior tendência de desenvolver a doença.
Glóbulos brancos
 No trabalho publicado na revista científica Cancer Research, os cientistas do Imperial College London analisaram amostras de sangue de 1.380 mulheres de diversas idades, 640 das quais desenvolveram câncer de mama.
Eles encontraram uma forte ligação entre o risco de ter a doença e a modificação molecular de um único gene, chamado ATM, que pode ser encontrado nos glóbulos brancos.
Os pesquisadores tentaram, então, descobrir o que estava causando esta alteração e procuraram especificamente por um efeito químico chamado metilação, que atua como um "interruptor genético".
As mulheres que apresentaran os maiores níveis de metilação afetando o gene ATM tinham duas vezes mais chance de desenvolver câncer de mama na comparação com aquelas que apresentaram os níveis mais baixos.
Em alguns casos, as alterações eram evidentes até 11 anos antes de a doença ser diagnosticada.
 Epigenética
 Sabemos que a variação genética contribui para o risco de uma pessoa ter determinadas doenças", disse James Flanagan, que liderou o novo estudo.
"Com esta nova pesquisa, agora também podemos dizer que a variação epigenética, ou diferenças na maneira como os genes são modificados, também tem um papel."
Flanagan espera que nos próximos anos seja possível descobrir outros genes que afetam o risco de uma mulher apresentar câncer de mama.
"O desafio agora é como incorporar toda esta nova informação aos modelos de computador que são usados atualmente para prever riscos individuais."
Ainda não se sabe exatamente por que o risco de câncer de mama pode estar ligado a mudanças em um gene de glóbulos brancos, mas a equipe prevê que um exame de sangue pode ser usado em conjunto com outras informações, como histórico familiar e presença de outros genes conhecidos de câncer de mama, para ajudar a identificar as mulheres com maior risco de desenvolver a doença.

FONTE: ESTADÃO

segunda-feira, 30 de abril de 2012

FRUTAS SÃO O NOVO SALTO DA GENÉTICA


Pesquisas indicam que comer uma ou duas maçãs por dia pode ajudar a evitar doenças do coração

Há 20 anos, os cientistas do Projeto Genoma iriam revelar os segredos genéticos de uma série de doenças, a exemplo do câncer. A implicação era de que haveria logo a seguir novas terapias que nos permitiriam banir para sempre esses males da vida humana. A crença nesse fato existia mesmo no momento em que os genes não eram tão fáceis de serem lidos como hoje. Mas o fato que veio à tona é que ainda que existam dois gêmeos e um deles venha a adquirir câncer, o conhecimento que os mapas genéticos nos fornecem é tão complexo e indireto que  a chance de que o outro gêmeo desenvolva câncer, até onde sabemos, é a mesma de um completo desconhecido, apesar de os dois terem os mesmos genes.
 
Depois, veio o hype das terapias genéticas, quando se anunciou que os médicos poderiam tratar os pacientes, dando-lhes cópias novas de genes defeituosos, como se fossem mecânicos trocando as velas de ignição de um Fusca. Não foi surpresa que esse tipo de terapia se provasse, na prática, mais complicada que na teoria e que não tenha, até agora, curado ninguém de nenhum problema genético.Pois bem: agora, a genética sci-fi está nos dando evidências de algo ainda mais marcante: a ideia de que podemos alterar por conta própria, sem que isso requeira prática e nem tampouco habilidade, a ação de genes ligados a doenças. 

E, dessa vez, a coisa é séria.Essa ideia de “terapia genética faça você mesmo” para reduzir nosso risco de adquirir doenças letais é baseada num fato quase sempre incompreendido sobre os genes. Nós nos acostumamos a pensar neles como ditadores moleculares, que determinam com precisão o que acontece nas nossas células. Mas o maior insight que emergiu do Projeto Genoma foi a descoberta de realidades genéticas mais sutis: o mesmo gene pode se comportar de formas radicalmente diferentes, dependendo de como ele interage com outros genes. E há uma série de outras influências importantes para determinar a ação genética, inclusive a dos elementos químicos que entram em nossas células por meio dos alimentos que ingerimos. 

Pesquisas recentes indicam que certos alimentos têm a capacidade de nos proteger de doenças fatais, alterando o funcionamento dos genes ligados a elas.A evidência vem de um estudo de uma equipe internacional liderada por pesquisadores das universidades McGill e McMaster, ambas no Canadá. Eles compararam dietas de mais de 27 mil pessoas de diferentes etnias cujos DNAs foram analisados para detectar a presença de um gene conhecido como variante genética 9p21. Em 2007, um time de caçadores de genes começou a desconfiar que as pessoas que possuiam essa variante em seu DNA enfrentavam um risco maior de sofrer ataques do coração.

No entanto, por incrível que pareça, o 9p21 não tem nenhum envolvimento mais óbvio com o funcionamento do coração. O link desse gene com as doenças do coração não é direto – como é normalmente o caso em genes ligados a doenças comuns. Porém, uma pista importante emergiu agora do estudo das dietas. 

A pesquisa revelou que a variante genética 9p21 é mais propensa a levar a um ataque do coração se os portadores dela lançam mão de uma dieta que não inclui frutas frescas ou vegetais. Em outras palavras: se aumentarem a quantidade de saladas na entrada e frutas na sobremesa durante as refeições, os portadores do gene malfazejo podem se esquivar de seus piores efeitos. Na verdade, eles passam a ter o mesmo nível de risco de sofrer problemas do coração da população em geral.

Exatamente por que isso acontece é algo que ainda não está suficientemente claro para os pesquisadores, mas a conclusão mais importante é a de que você não precisa fazer um escaneamento total do corpo ou uma complexa terapia para diminuir o risco de infarto por meio da genética, basta mudar um pouco a sua dieta.

domingo, 29 de abril de 2012

ENGENHARIA DE VIDA

A biotecnologia está na fronteira do conhecimento humano faz tempo. Nossos ancestrais não sabiam, mas 12 mil anos atrás, quando inventaram a agricultura, usaram procedimentos biotecnológicos rudimentares para selecionar plantas e tipos de solo. A concepção moderna, porém, veio na esteira das descobertas da biologia molecular e da genética. Ponto para Mendel e suas ervilhas, que abriram o caminho para uma das profissões do futuro.


Antes de seguir com esta história, vamos ao conceito de biotecnologia definido na Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU, que ocorreu no Rio há 20 anos: “É a aplicação tecnológica de sistemas biológicos, organismos vivos ou derivados para criar ou modificar produtos ou processos.”
Ou seja, do desenvolvimento de antibióticos à produção de bebidas, do uso de células-tronco para reconstruir tecidos à aplicação de enzimas para degradar substâncias poluentes, o homem tem hoje um arsenal de ferramentas microscópicas capaz de revolucionar o modo como vivemos.
“Usar a biologia para atender às nossas necessidades é o caminho para a sustentabilidade humana”, resume o expert em computação, genética e biologia sintética Andrew Hessel, professor da Singularity University. Para ele, é preciso superar processos “velhos e crus” que existem desde a Revolução Industrial, a exemplo de reações químicas com o uso de reagentes tóxicos. “Esses processos foram bastante úteis, deram escala, funcionaram de forma confiável, mas no fim das contas são bastante tóxicos. A vida faz muitas dessas mesmas reações, mas de forma graciosa.”
Para quem quer fazer carreira em laboratórios, o País tem se destacado principalmente na área de fontes de energia. O desafio atual dos cientistas é obter o chamado etanol de segunda geração, a partir da hidrólise (quebra) da parede celular da cana. Para isso, estudam modificações genéticas visando a aumentar a qualidade das fibras.
“Só um terço da energia da cana está na sacarose que obtemos ao espremer o caule. Um terço está na biomassa e um terço na palha, que é descartada”, diz Marcos Buckeridge, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol. “Mais que aumentar o rendimento, a ideia é aproveitar melhor toda a planta, diminuindo os custos de produção.”
Chefe de vários projetos de transgenia animal e vegetal na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, o pesquisador Elibio Rech acha que o Brasil deve explorar ainda mais a condição de grande exportador agropecuário para introduzir tecnologia no campo e preservar a biodiversidade. “Conhecendo melhor nossas plantas e animais, vamos poder produzir novas moléculas e produtos, agregando valor à floresta.”
Além de aplicações na agricultura, na indústria e no meio ambiente, o ex-presidente do CNPq Esper Cavalheiro destaca ainda a relevância da pesquisa brasileira voltada à saúde. “O Instituto Butantã e a Fiocruz são grandes produtores de vacinas. E temos outros centros importantes pensando na cura de doenças degenerativas, como Parkinson e Alzheimer, e do câncer, caso do Inca.”
O pesquisador do Inca Martin Bonamino, doutor em Química Biológica pela Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estuda câncer desde a graduação. Hoje ele avalia genes que poderiam educar o sistema imunológico para reconhecer tumores. Também desenvolve vetores virais para transformação de células adultas em células-tronco pluripotentes. “Na área da saúde, tem muito espaço para pesquisa e dinheiro sendo injetado pelo governo”, diz.
Por falar em recursos públicos, Martin recomenda aos estudantes e futuros universitários que aproveitem a oportunidade de conseguir uma bolsa no exterior pelo Ciência sem Fronteiras. “Passar um tempo fora do País é fundamental”, afirma. “Quando fiz estágio no exterior, durante o doutorado, trouxe novos conhecimentos para meu laboratório.”
Formação
Hoje consultor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, Esper Cavalheiro vê com entusiasmo a criação de cursos superiores para formar pessoal especializado. Para o cientista, é fundamental que as universidades estimulem o aluno a desenvolver o espírito criativo e empreendedor. “Talvez tenhamos surpresas muito boas pela frente.”
A primeira graduação começou a funcionar há 11 anos, na Universidade Presidente Antônio Carlos, de Barbacena (MG). Segundo o MEC, em 2010 havia 22 bacharelados e 6 graduações tecnológicas.
A UFSCar, por exemplo, oferece dois cursos, em Araras e em São Carlos. O primeiro enfatiza as áreas ambiental e agrícola. O outro é voltado para biologia molecular. Sua primeira turma cola grau no fim do ano. Sairá com uma formação multidisciplinar sólida, acredita o vice-coordenador do curso em São Carlos, Anderson Ferreira da Cunha. Segundo ele, os alunos frequentaram diferentes laboratórios e assistiram a aulas em vários departamentos, como Física, Química e Computação.
“A formação em biologia molecular abre um mundo de possibilidades”, diz. “Eles trabalham basicamente com a manipulação de DNA, o que lhes permite atuar da indústria farmacêutica à de ração animal.”
No último ano do curso da UFSCar, Vanessa Munhoz, de 24 anos, prepara-se para escrever a monografia e o TCC. Depois ainda precisa fazer seis meses de estágio obrigatório. Ela vai para uma usina de álcool acompanhar a produção de levedura, resíduo da transformação da cana em etanol que pesquisou na iniciação científica.
“A levedura é vendida para uma fábrica intermediária que faz o tratamento enzimático da substância e depois a revende para a produção de ração animal. Quanto mais RNA tiver a levedura, melhor o alimento para bois, porcos e frangos. É como se eles precisassem comer menos para engordar mais”, explica Vanessa. Simples, mas complexo. 
FONTE: ESTADÃO

quinta-feira, 19 de abril de 2012

MENINO DE UM ANO DEVE RECEBER MARCA-PASSO PARA RESPIRAR SOZINHO


A Justiça concedeu uma liminar para que uma criança de um ano -que vive no hospital desde que nasceu devido a uma rara doença genética- seja internada imediatamente para a implantação de um dispositivo que permitirá que ela deixe as instalações médicas.

Segundo o documento, os cerca de R$ 500 mil a serem gastos com o procedimento deverão ser custeados integralmente pelo Estado de São Paulo. As despesas incluem a compra do aparelho, internação, honorários médicos e pós-operatório.

O paulista Adley Gabriel Gomes Sales tem síndrome de Ondine, um raro problema genético que deixa sequelas no sistema nervoso. Essa condição ocasiona uma insuficiência respiratória crônica no garoto, que precisa de respiração mecânica.

O uso de um marca-passo diafragmático pode acabar com essa dependência, mas a família não tem condições financeiras para a compra e implantação do dispositivo.

Ao tomar conhecimento de um caso bastante semelhante -o menino Pedro Arthur, 8, que conseguiu que o Estado de Minas Gerais pagasse pela implantação do dispositivo-, a família decidiu também recorrer às vias legais.

Os pais de Adley entraram com um pedido administrativo na secretaria de Saúde do Estado, mas não obtiveram resposta ao fim dos 120 dias previstos.

O advogado da família então buscou uma liminar para conseguir o marca-passo, que age estimulando o nervo responsável pela contração do diafragma, cujos movimentos fazem os pulmões se encherem de ar. A parte externa do aparelho, um tipo de rádio a bateria, leva energia ao dispositivo.

A rotina de cuidados com a criança, internada no Hospital Beneficência Portuguesa desde que nasceu, é desgastante para os pais.

"São só três horas diárias de visita. Estamos lá sempre. É muito ruim não poder tirar o meu filho do hospital, ir a um parque", diz Josimar João Sales, pai do menino.

Em nota, a Secretaria de Saúde informou que a demora na resposta à família se deveu à natureza "extremamente especializada, rara e complexa" da cirurgia, que envolveu consultas a especialistas próprios e conveniados. Segundo o órgão, o InCor (Instituto do Coração) se prontificou a fazer o procedimento.

Para o advogado da família, Frederico Damato, houve "descaso" do Estado com a saúde delicada do menino.

FONTE: FOLHA

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A DOENÇA NEUROLÓGICA DO ATOR GUILHERME KARAN



O ator Guilherme Karan, famoso por personagens cômicos e longe da TV desde 2005, quando participou na novela "América", vive isolado em sua casa no Rio há meses.



Em entrevista ao jornal, o pai do ator, Alfredo, diz que Guilherme sofre de uma doença neurológica degenerativa rara, a síndrome de Machado-Joseph. "Ele herdou da mãe. Perdi um filho com a mesma doença. Guilherme fica na cadeira de rodas o tempo todo. Tem horas que ele está lúcido e tem horas que não", disse Alfredo ao Extra.
A enfermidade é desconhecida pela maioria dos brasileiros. Sua principal característica é a perda dos movimentos até o ponto do portador precisar de uma cadeira de rodas para se locomover, disse a neurologista Eliana Meire Melhado, membro da Academia Brasileira de Neurologia.
"É uma doença [...] que vem dos portugueses. Por ser genética, dá para saber antes de nascer. Se houver mais casos na família, é indicado o aconselhamento genético", explica a neurologista.
O nome da enfermidade é uma homenagem ao cientista que a classificou entre as doenças neurológicas.
Entre os sintomas mais comuns está a falta de equilíbrio, e por isso a síndrome é conhecida popularmente como "doença do tropeção". Outros sintomas são a perda dos movimentos e o impedimento de continuar em pé.
Segundo Melhado, como a doença é progressiva, os sintomas aparecem lentamente. Por isso o mais indicado é, a partir do diagnóstico, fazer exercícios físicos, fisioterapia e hidroterapia para evitar que se chegue ao ponto de precisar da cadeira de rodas.
"Mesmo se chegar a cadeira de rodas, deve-se continuar com a fisioterapia. Em casos mais leves a pessoa pode até melhorar. Mas, geralmente, quando se chega a esse ponto a pessoa não volta mais a andar", explica.
Não há medicação específica para tratar a doença e o paciente tende a morrer de complicações. Mas quanto mais fisioterapia fizer, melhor se torna a qualidade de vida desse paciente.
A SÍNDROME DE MACHADO-JOSEPH
Sintomas- Falta de equilíbrio
- Perda de movimentos
- Dificuldade de continuar em pé
CausaGenética
Tratamento- Fisioterapia
- Exercícios físicos
Origem do nomeÉ uma homenagem ao cientista que a classificou entre as doenças neurológicas


FONTE: GLOBO

terça-feira, 17 de abril de 2012

CIENTISTAS IDENTIFICARAM MODIFICAÇÕES GENÉTICAS RELACIONADAS AO ENVELHECIMENTO DO CÉREBRO

A atrofia do hipocampo, sede da memória no cérebro, é considerada um marcador biológico para o Alzheimer. O encolhimento dessa região costuma acontecer com o envelhecimento, é acelerado pela presença do Alzheimer e costuma ser causado pelo efeito cumulativo de vários fatores. Uma pesquisa publicada no periódico Nature Genetics conseguiu mapear modificações genéticas ligadas ao encolhimento dessa área cerebral.


Coordenado por Christophe Tzourio, o estudo reuniu o genoma e dados de ressonância magnética de mais de 9.000 voluntários com idades entre 56 e 84 anos. O objetivo era detectar relações entre certas mutações e a redução do volume do hipocampo. Os dados dos participantes (pessoas saudáveis ou com demência) foram retirados de oito estudos feitos na América do Norte e na Europa.
Os pesquisadores selecionaram 46 diferenças na sequência de DNA dos participantes – diferenças que, acredita-se, estão relacionadas a uma redução no volume do hipocampo. Dezoito mutações localizadas em áreas diferentes do cromossomo 12 foram fortemente relacionadas ao encolhimento da região. As outras relações incluíam uma mutação no cromossomo 2 e uma no cromossomo 9. Os resultados do estudo indicaram que "fatores ainda não identificados" aceleram a mutação em áreas precisas do genoma, causando a redução do volume do hipocampo.
Uma vez identificada a mutação, a equipe tentou encontrar o que exatamente cada uma delas havia modificado. Descobriu-se, então, que elas haviam mudado a estrutura dos genes importantes para inúmeras funções, como morte celular (apoptose), desenvolvimento embrionário, diabetes e migração neuronal.
"Esse estudo representa um marco, já que ele confirma o fato de que fatores genéticos estão relacionados com a estrutura do cérebro, com o hipocampo, e ainda com a demência e com o envelhecimento do cérebro", diz Christophe Tzourio. A nova abordagem de estudo adotada, que pesquisa uma área alvo do cérebro, e não a doença em si, poderá ajudar os cientistas a descobrir com mais precisão os mecanismos do Alzheimer.
O próximo passo na pesquisa será compreender melhor como essas mutações genéticas estão envolvidas no funcionamento global do Alzheimer. Embora as aplicações clínicas da descoberta não possam ser usadas em um futuro imediato, a descoberta acrescenta informações na direção de uma compreensão mais apurada do Alzheimer e do envelhecimento geral do cérebro.
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Common variants at 12q14 and 12q24 are associated with hippocampal volume

Onde foi divulgada: revista Nature Genetics

Quem fez: Christophe Tzourio e equipe

Instituição: Institut national de la santé et de la recherche médicale

Dados de amostragem: Mais de 9.000 voluntários com idades entre 56 e 84 anos

Resultado: Algumas alterações genéticas nos cromossomos 12, 2 e 9 estão relacionadas com o encolhimento do hipocampo. A perda de volume dessa área do cérebro está diretamente relacionada com o envelhecimento e com o Alzheimer.

FONTE: VEJA


segunda-feira, 2 de abril de 2012

TENDÊNCIA A DESENVOLVER STRESS PÓS-TRAUMÁTICO PODE SER GENÉTICA

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, nos Estados Unidos, descobriram que pode ser genético o motivo pelo qual determinadas pessoas desenvolvem stress pós-traumático. O novo estudo, que será publicado nesta terça-feira no site do periódico Journal off Affective Disorders, identificou dois genes envolvidos diretamente na produção de serotonina. Segundo a pesquisa, eles estão relacionados ao aumento do risco de um indivíduo desenvolver o problema.


Ninguém desenvolve o distúrbio sem razão, é claro. O stress pós-traumático aparece após a pessoa ser exposta a uma situação de violência, como guerras ou agressão física, ou de desastres naturais, como o tsunami ocorrido no Japão, por exemplo. Mas como algumas pessoas não têm o problema, a resposta pode estar nos genes  "Se nossos resultados se confirmarem, será possível identificar, após circunstâncias como essas, quais pessoas têm risco de desenvolver o problema e a melhor maneira de tratá-las", diz Armen Goenjian, coordenador do estudo.
Nessa pesquisa, a equipe analisou o DNA de 200 adultos de idades variadas de 12 famílias numerosas. Todos haviam apresentado sintomas de stress pós-traumático depois de sobreviverem a um terremoto de graves consequências na Armênia, em 1988.
Os autores do estudo identificaram que os participantes que apresentavam uma variação nos genes TPH1 e TPH2 tinham maiores chances de desenvolver o distúrbio. Esses genes, segundo o trabalho, controlam a produção de serotonina, uma substância química produzida no cérebro que auxilia a regulação do humor,  do sono e da capacidade de atenção — fatores que são comprometidos com o stress pós-traumático. "Nós supomos que essa variante genética faça com que os genes produzam menos serotonina, predispondo esses membros de uma mesma família ao stress pós-traumático após uma situação de violência ou de desastre, por exemplo", diz Goenjian.
De acordo com o pesquisador, essa descoberta pode ajudar os neurocientistas a classificar o distúrbio apenas por meio da identificação desses genes, e não mais pela observação clínica. Além disso, a ferramenta poderia ser capaz de selecionar quais pessoas correm maior risco do distúrbio após determinada situação e também a desenvolver novos medicamentos para a doença. "O nosso próximo passo será estudar esses genes em uma população maior e mais heterogênea", afirma o especialista.
STRESS PÓS-TRAUMÁTICO
É um distúrbio de ansiedade causado em pessoas que passam por uma situação traumática, de risco de vida ou lesões graves, como guerras. O medo intenso acarretado por esses episódios faz com que as pessoas voltem a sentir esse medo mais tarde, em forma de pesadelos ou flashbacks, por exemplo. Angústia, ansiedade, sintomas depressivos, sentimento de culpa e menos interesse por certas atividades são alguns dos efeitos.

FONTE: VEJA