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segunda-feira, 2 de julho de 2012

O QUE É ESCLEROSE MÚLTIPLA?


A Esclerose Múltipla é uma das doenças mais comuns em adultos jovens que compromete o SNC (Sistema Nervoso Central) constituído por cérebro, cerebelo, tronco encefálico e medula espinhal. De causa ainda desconhecida, foi descrita, inicialmente, em 1868, pelo neurologista francês Jean Martin Charcot, que a denominou "Esclerose em Placas", descrevendo áreas circunscritas endurecidas que encontrou (em autópsia) disseminada pelo SNC de pacientes. É caracterizada também como doença desmielinizante, pois lesa a mielina, prejudicando a neurotransmissão. A mielina é um complexo de camadas lipoproteicas que envolvem e isolam as fibras nervosas (axônios), permitindo que os nervos transmitam seus impulsos rapidamente, ajudando na condução das mensagens que controlam todas as atividades conscientes e inconscientes do organismo.
Na Esclerose Múltipla, a perda de mielina (desmielinização) leva a interferência na transmissão dos impulsos e isto produz os diversos sintomas da doença. É importante atentarmos que a mielina esta presente em todo sistema nervoso central, por isto qualquer região do mesmo pode ser acometida e o tipo de sintoma esta diretamente relacionada.
Os axônios sofrem danos variáveis, em conseqüência do processo inflamatório, o que culmina com o decorrer do tempo com acúmulo de incapacitações neurológicas. Os pontos de inflamação, desmielinização, evoluem para resolução com formação de cicatriz. Esta não apresenta a mesma função do tecido original (é a placa, esclerose significa cicatriz), mas é a forma que o organismo lança mão para curar a inflamação, só que com isto perdemos função tecidual (“a cicatriz como testemunha”) que aparecem em diferentes momentos e zonas do sistema nervoso central.
Os pacientes podem se recuperar clinicamente total ou parcialmente dos ataques individuais de desmielinização, produzindo-se o curso clássico da doença, ou seja, surtos e remissões.
Os dados obtidos em pesquisas realizadas e atualmente disponíveis podem oferecer o diagnóstico clínico e laboratorial, mas ainda em alguns casos podem ser insuficientes para definir de imediato se a pessoa é ou não portadora de esclerose múltipla, uma vez que os sintomas se assemelham a outros tipos de doenças neurológicas. Nestes casos a confirmação diagnostica pode levar mais tempo.
Apesar de não existir a cura ate o momento para a Esclerose Múltipla, muito pode ser feito para ajudar as pessoas portadoras de Esclerose Múltipla a serem independentes e a terem uma vida confortável e produtiva.

Denomina-se ESCLEROSE e Denomina-se MÚLTIPLA:
•Áreas do cérebro cerebelo, tronco encefálico e da medula espinhal são afetadas pela inflamação e posterior aparecimento de cicatrizes (escleroses). 


• Os sintomas podem ser leves, moderados ou intensos e surgem e de maneira imprevisível.


CAUSAS:

Até o momento a causa é desconhecida. Nas pesquisas, amplos esforços são dirigidos ao estudo do indivíduo portador, como também do ambiente onde vive. A deterioração da mielina é provavelmente mediada pelo sistema imunológico em indivíduos geneticamente predispostos, o que resulta em um ataque maciço ao próprio tecido nervoso, isto é, uma resposta auto-imune. Ainda não foi identificado um antígeno específico.
Uma teoria defendida por pesquisadores é a de que o desencadeante responsável é um vírus e neste caso que o sistema imunológico interpreta uma parte da proteína mielínica como sendo um vírus de estrutura similar e a destrói (mimetismo molecular).


SINTOMAS:


Não existe um padrão definido como o ideal para a EM. Cada paciente possui o seu tipo peculiar de manifestação da doença e cada pessoa com EM terá o seu conjunto de sinais e sintomas. Estes sintomas podem mudar ao longo do tempo. Mas os sintomas se correlacionam com o comprometimento da mielina e ou axônios e varia de acordo com a área/ ou via acometida.

Os tipos mais apresentados no indivíduo com EM são:
Alterações fonoaudiológicas

Pode surgir no inicio da doença ou no decorrer dos anos alterações ligadas a fala e deglutição com sintomas: fala lentificada, palavras arrastadas, voz trêmula, disartrias, fala escandida e disfagias (dificuldade para engolir: líquidos, pastosos, sólidos).




Fadiga
Sintoma debilitante de instalação imprevisível ou desproporcionado em relação à atividade realizada, a fadiga é um dos sintomas mais comuns e um dos mais incapacitantes da EM. Manifesta-se por um cansaço intenso e momentaneamente incapacitante para realizar uma atividade desejada. Muito comum quando o paciente se expõe ao calor ou quando faz um esforço físico desenvolver um trabalho ou uma sensação abrangente de falta de energia, corporal ou sistêmica.


Transtornos cognitivos
O paciente pode apresentar sintomas cognitivos, ou seja; de memória, durante qualquer momento da doença, e independe da presença de sintomas físicos/motores. Funções cognitivas mais freqüentemente comprometidas são no processamento da memória e na execução das tarefas. Os indivíduos se queixam muito que levam mais tempo para memorizar as tarefas e possuem mais dificuldades para executar as mesmas.
Transtornos emocionais
Estes sintomas podem estar presentes e serem reacionais as mudanças que podem fazer a pessoa em sua vida de maneira súbita ou mesmo secundário às lesões do sistema nervoso central. Assim, pode haver sintomas depressivos, ansiosos, transtorno de humor, irritabilidade, flutuação entre depressão e mania ( transtorno bipolar)

Outros sintomas que podem ser apresentados

Problemas de bexiga e intestinais
Incluem a necessidade de urinar com freqüência e/ou urgência (quando vontade de urinar necessidade de urgentemente ir ao banheiro, por não conseguir segurar por muito tempo, assim como esvaziamento incompleto, retenção urinária). Os problemas intestinais incluem constipação intestinal e urgência fecal.


Transtornos visuais:
  • Visão embaçada;
  • Visão dupla (diplopia);
Problemas de equilíbrio e coordenação:
  • Perda de equilíbrio;
  • Tremores;
  • Instabilidade ao caminhar (ataxia);
  • Vertigens e náuseas;
  • Falta de coordenação;
  • Debilidade, pode afetar pernas e o andar;
  • Fraqueza geral.
Espasticidade
  • Espasticidade (rigidez de um membro ao movimento, acomete principalmente os membros inferiores).
  • Parestesia (sensação tátil anormal), ou sensação de queimação ou formigamento em uma parte do corpo;
  • Outras sensações não definidas;
  • Pode haver dor associada à Esclerose Múltipla, como por exemplo dor facial; (neuralgia do trigêmio) e dores nos membros de origem central; ou seja secundária a lesão do sistema nervoso central.
  • Sexualidade
    • Disfunção erétil, nos homens
    • Diminuição de lubrificação vaginal nas mulheres
    • Comprometimento da sensibilidade do períneo (região da genitália), interferindo no desempenho do ato sexual.
  • Não existe duas pessoas que tenham exatamente os mesmos sintomas, e os sintomas de cada pessoa pode mudar ao longo do tempo. Uma pessoa pode experimentar somente um dos possíveis sintomas, enquanto outras pessoas experienciam muito mais. A maioria destes sintomas podem ser gerenciados de forma muito eficaz com medicação, reabilitação e outras estratégias de gestão.
COMO É DIAGNOSTICADA

Os sintomas podem ser brandos ou pouco perceptíveis, o que faz com que a pessoa sequer procure o médico, ou seja, pouco valorizado inicialmente.
Outras doenças do sistema nervoso podem provocar sintomas similares aos da Esclerose Múltipla dificultando o diagnóstico.
O profissional mais indicado para diagnosticar a EM é o neurologista. O diagnóstico deve estar baseado em uma história sugestiva onde sintomas aparecem dentro de um tempo e espaço (isto significa que dentro do raciocínio médico consegue-se detectar regiões diferentes do sistema nervoso acometido com o decorrer do tempo), além de um exame neurológico bem detalhado.
Após a hipótese deve ser o indivíduo submetido a exames complementares comprobatórios.
Os critérios básicos são:
Evidência de múltiplas lesões no SNC
Evidência (clínica ou paraclínica) de pelo menos dois episódios de distúrbio neurológico num indivíduo entre 10 e 59 anos de idade
Os exames solicitados pelo médico neurologista para auxiliar no diagnóstico são:
Ressonância Magnética de crânio e coluna em niveis cervical,toracico ,lombar ( em alguns casos )
Líquor onde o fluido que banha o SNC é retirado para exame
Potencial evocado que mede a condução nervosa no seu trajeto visual, auditivo, motor e sensorial)

COMO É TRATADA
Embora sem cura no momento, os tratamentos oferecidos buscam reduzir a atividade inflamatória e os surtos ao longo dos anos contribuindo para a redução do acúmulo de incapacidade durante a vida do indivíduo.
Além do foco na doença, tratar os sintomas como os urinários, fadiga é muito importante para qualidade de vida do paciente.
A neuroreabilitação é importante juntamente com o tratamento medicamentoso no tratamento dos sintomas, na adaptação e recuperação quando possível e prevenção ao longo do tempo de complicações como as deformidades ósseas.
Hoje existe indicação de medicamentos que visam reduzir a atividade inflamatória e a agressão à mielina, com diminuição dos surtos, em intensidade e freqüência, contribuindo assim na redução do ganho de incapacidade ao longo dos anos. São as abordagens denominadas modificadoras da evolução da doença, os imunomoduladores.
O emprego de imunosupressores também tem ocupado lugar de relevo no tratamento da EM. Entre eles destacam-se a azatioprina, a ciclosfosfamida, o mitoxantrone, o metotrexato e a ciclosporina.
A prednisona ou outros corticóides podem ser empregados por via oral. Com resultados razoavelmente bons, temos a pulsoterapia venosa pela metilprednisolona.
A partir da década de 90, os interferons juntamente com o acetato de glatiramer, passaram a ser utilizados no tratamento da EM para reduzir os surtos e estabilizar a doença ao longo dos tempos apesar de não ser a cura. No Brasil estes medicamentos são distribuidos gratuitamente pelo governo através de farmácias de dispensação de alto custo ou em centros públicos de referência do tratamento da EM mediante relatório médico que confirme a existência da doença.
O interferon beta 1 a é administrado por via subcutânea 3 vezes na semana (rebif 22mcg ou 44mcg) ou intramuscular 1 vez por semana (Avonex 30mcg). O interferon beta 1 b é administrato subcutâneo em dia alternados (Betaferon 8000UI).
O acetato de glatiramer deve ser empregado subcutâneo diariamente (Copaxone 20mg)
No uso dos inteferons deve se ter um monitoramento de perto da função hepática. .Em caso de alteração deve ser avaliado a descontinuação de seu uso pelo médico.
Sintomas muito comuns no inicio do uso destas medicações são: dores de cabeça, dores musculares, febre, fadiga, agravamento de sintomas anteriores; isto é transitório na maioria dos casos e podem ser amenizados iniciando-se com doses menores, utilizando-se analgésicos pré-administração, deixando as aplicações como a última atividade do dia; mas é claro, o mais importante, siga as orientações do seu médico assistente.
Tratamento de Recidivas Agudas
Uma melhora natural de exacerbações agudas ocorre freqüentemente num prazo de 4 a 12 semanas. O grau de melhora varia e, provavelmente, se deve à regressão da inflamação. Para recorrências agudas, a maioria dos neurologistas prescreve altas doses de corticosteróide intravenoso, como metilprednisolona (solumedrol) por 3 a 5 dias. Essa série pode ser seguida de uma dose oral gradualmente decrescente de corticosteróide (p.ex.: prednisona). Corticosteróides orais também podem ser empregados para tratar uma recidiva branda ou moderada. Efeitos colaterais, causados pelo uso prolongado dos corticosteróides (osteoporose, hipertensão arterial, catarata, perda muscular), geralmente não ocorrem com o uso por curto prazo. Entretanto, pode haver efeitos colaterais como alterações do humor, desconforto epigástrico, micção freqüente e visão embaçada.
Tratamento Sintomático
Medicamentos utilizados na Esclerose Múltipla devem ser indicados pelo médico neurologista que vai analisar cada caso. Aliado ao tratamento medicamentoso, o tratamento reabilitacional é benéfico para reduzir a espasticidade, espasmo, fadiga, depressão entre outros sintomas.
Novas Medicações
- Anticorpos monoclonais:
Um grupo medicamentoso muito utilizado em reumatologia e oncologia. Atualmente, muitas substâncias vêm sendo testadas para esclerose múltipla, estudos multicêntricos, pelo mundo, fases finais de estudo; rituximab, alemtazumab, daclizumab.
No mercado já esta disponível o natalizumabe (tysabri), a primeira produzida especificamente para esclerose múltipla, cuja indicação é para doença grave, de evolução rápida, refratária a outras terapêuticas. Age na atividade inflamatória, reduzindo surtos e as incapacitações.
- Medicações vias orais:
Fingolimod, cladribina, laquinomod, teriflunomide, fumarato. A primeira já aprovada pelo FDA ( o similar da ANVISA americano), deve chegar em nosso mercado no próximo ano e a segunda em vias de final de aprovação.
Todas com indicação para minimizar surtos quanto freqüência, taxa anual e concomitante Acúmulo de inacapacitações; porém, muitas perguntas ainda precisam ser respondidas: quantos efeitos adversos em longo prazo, efeito preventivo, reparador, neuroprotetor, comparativo com tratamentos atuais.
- Transplante autólogo de células tronco:
Ainda é um protocolo de pesquisa e indicado na refratariedade terapêutica, a maioria dos trabalhos mostrem uma estabilização clínica, mas não uma melhora objetiva; precisa-se de estudos mais longos para uma melhor conclusão e responder algumas questões principalmente manutenção de eficácia a longo prazo.
QUEM PODE DESENVOLVER
No Brasil a prevalência é em média de 18/100.000 pessoas. Quanto mais distante da linha do equador, ou seja, maior latitude, maior a prevalência. 
No Canadá, por exemplo, em média 135 / 100.000 habitantes.

É uma doença que acomete adultos jovens, principalmente mulheres na proporção 2:1, e hoje já se vê trabalhos referindo 3: 1 em relação aos homens. Mais comum em caucasianos, do que em outros grupos raciais.
Idade de maior adoecimento entre 20 e 50 anos, mas hoje já se faz cada vez mais o diagnóstico em idades inferiores inclusive adolescentes e crianças. Acima dos 50 anos também há casos de inicio da doença descritos.
TIPOS DE ESCLEROSE MÚLTIPLA
A Esclerose Múltipla pode se manifestar:
1. Evolui em surtos cujos sintomas ocorrem de maneira súbita com posterior recuperação parcial ou total dos mesmos, neste caso chamada Esclerose Múltipla Remitente Recorrente (EMRR) ou surto remissão.
2. Evolui sem surtos, mas com sintomas progressivos acumulados ao longo do tempo, neste caso chamada Esclerose Múltipla Primária Progressiva (EM PP).
3. Evolui com sintomas lentos e progressivos com o tempo em indivíduos que possuem a forma remitente recorrente inicialmente EMRR pode evoluir com ganho de sintomas sem surto em geral após 20 anos de doença pode ser observado e aqui chamado de Esclerose Múltipla Secundaria Progressiva.
A forma mais comum de esclerose múltipla é a recorrente-remitente (quando os surtos podem deixar sequelas ou não).



FONTE: ABEM.ORG

terça-feira, 29 de maio de 2012

TERAPIA POLÊMICA USA VITAMINA D EM DOSES ALTAS CONTRA ESCLEROSE MÚLTIPLA


Há quase três anos o paulistano Daniel Cunha, 26, acordou com metade de seu rosto dormente. Foi trabalhar, voltou para casa e achou que a sensação ia passar. Não só não passou como piorou.

Foi ao hospital, fez exames e, depois de algumas consultas, recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla. O mal é autoimune, causado pelo ataque ao revestimento dos neurônios pelo sistema imunológico da própria pessoa.

Desde 2010, Cunha abandonou o tratamento convencional, com injeções de interferon, remédio que controla a ação inflamatória da esclerose, mas causa efeitos colaterais como febre e mal-estar.

Ele passou a tomar todo dia uma dose alta de vitamina D, prescrita pelo neurologista Cícero Galli Coimbra, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). O tratamento não é reconhecido pela maioria dos especialistas, que o consideram experimental.

Isso não impediu Cunha de usar a vitamina. Ele ficou tão satisfeito que realizou, com meios próprios e ajuda de amigos, um documentário de 30 minutos, disponível desde abril no YouTube.



No vídeo, com 18 mil acessos, pacientes de Coimbra falam sobre a vida antes e depois do novo tratamento, e o médico explica a relação entre a vitamina D e a doença.

HORMÔNIO

Produzida pelo corpo quando a pele fica exposta ao sol, a vitamina D na verdade é um hormônio, apesar de manter o nome consagrado.

É consenso há muito tempo que ela tem papel importante na mineralização dos ossos. "Experimentos vêm mostrando que ele age em vários outros tecidos, especialmente no sistema imunológico", afirma a endocrinologista Marise Castro.

No caso da esclerose múltipla, pesquisas mostram que a prevalência da doença é mais alta em países distantes da linha do Equador, com incidência solar mais baixa, onde a população produz menos vitamina D.

Segundo Coimbra, a suplementação com o hormônio vem sendo testada desde os anos 1980 para reduzir os surtos de esclerose, períodos em que a doença pode deixar sequelas. Para ele, já há evidência suficiente de que as pessoas com a moléstia têm deficiência da vitamina.

"Desde 2003 venho cumprindo o dever ético de corrigir o problema metabólico desses pacientes. Todo médico tem a obrigação de fazer isso", afirma o neurologista.

Até hoje, diz Coimbra, quase 900 pacientes com esclerose múltipla foram tratados. A maioria usa de 30 mil a 70 mil UI de vitamina D ao dia, mas alguns tomam 200 mil.

A dose ideal para a suplementação ainda é motivo de debate. Segundo Marise Castro, a quantidade usual é de 400 a 2.000 UI.

Mas, segundo Coimbra, essas doses não são realistas. "As pessoas com esclerose têm uma resistência genética à vitamina e precisam de doses mais altas."

Os pacientes dele seguem uma dieta sem laticínios e fazem exames periódicos para controlar os níveis de cálcio na urina e no sangue. A vitamina D tem relação com o cálcio, e as doses altas podem causar cálculos renais.

"A intoxicação por vitamina D pode ser grave e leva meses para curar, porque ela se deposita no tecido adiposo", diz a endocrinologista.

Coimbra rebate, citando um estudo que acompanhou pacientes com esclerose tomando vitamina D por sete meses, em doses crescentes, até chegar a 40 mil UI por dia.



Para Maria Fernanda Mendes, membro-titular da Academia Brasileira de Neurologia, não há provas suficientes para receitar a terapia.

"Temos feito exames para dosar a vitamina e repô-la em caso de deficiência, até por conta da demanda dos pacientes, mas não é a recomendação oficial. 

Como há um tratamento comprovadamente melhor, esse só pode ser usado em pesquisas."

Coimbra diz que não concorda com a realização de estudos controlados em que parte dos pacientes recebam a vitamina e parte, placebo.

"Alguém já fez estudo controlado sobre usar insulina para crianças diabéticas? Não, porque elas iam morrer. Se você tivesse uma filha com esclerose múltipla, que poderia ficar cega em um surto, correria o risco do placebo?"

Coimbra afirma que a relutância dos médicos em aceitar o tratamento vem dos conflitos de interesse com as farmacêuticas. "Há um interesse fabuloso no tratamento tradicional, que custa até R$ 11 mil por paciente por mês."

O conflito de interesses foi um dos motivos que levou Daniel Cunha a fazer o documentário. "O tratamento com vitamina D me custa R$ 50 por mês. É a minha saúde, não é um leilão. Não me interessa se alguém vai ganhar dinheiro com isso. As pesquisas que todo mundo pede nunca vão sair, quem pagaria isso se não as farmacêuticas? Mas as pessoas não precisam ser reféns. A internet é nossa arma."




FONTE: FOLHA

segunda-feira, 14 de maio de 2012

MACONHA REDUZ UM DOS SINTOMAS DA ESCLEROSE MÚLTIPLA

Um estudo publicado nesta segunda-feira (14) pela revista da Associação Médica Canadense mostrou que fumar maconha é um tratamento eficaz contra um dos sintomas mais comuns e debilitantes da esclerose múltipla.


A esclerose múltipla é uma doença que provoca danos no sistema nervoso central, ou seja, cérebro e medula espinhal. As lesões neurológicas provocam uma série de sintomas no corpo, como a piora de funções que vão desde a visão até o controle da bexiga.
O sintoma abordado na pesquisa, que é aliviado pelo consumo da erva, é a espasticidade. Os músculos passam a funcionar mais que o normal, involuntariamente, o que provoca muitas dores e limita os movimentos.
No estudo, 30 pacientes foram separados em dois grupos, sendo que um fumou maconha e o outro fumou cigarros com outra planta, sem o mesmo efeito. A experiência foi feita durante três dias seguidos, com um cigarro por dia. Depois de 11 dias, a experiência de três dias foi repetida com os grupos invertidos.
O resultado mostrou que a maconha foi superior na redução dos sintomas e da dor dos pacientes. No entanto, o estudo constatou também que a droga teve efeitos sobre a atenção e a concentração dos participantes.
Os autores, pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, apontaram que é preciso fazer novos estudos para confirmar os resultados e determinar se é possível ter os efeitos benéficos com doses menores.
FONTE: G1

domingo, 15 de abril de 2012

PAÍS VAI PRODUZIR REMÉDIOS DE ALTO CUSTO MAIS BARATOS


O Brasil vai começar a fabricar os primeiros medicamentos biossimilares com tecnologia nacional. Eles são versões mais baratas de drogas biológicas inovadoras, produtos de alto custo que atacam alvos específicos em doenças como câncer, artrite reumatoide e esclerose múltipla. Apesar de representarem, em unidades, apenas 4% das compras do Ministério da Saúde, consomem 32% do orçamento da pasta para remédios.
O lançamento do laboratório BioNovis, no final de março, representa a iniciativa mais adiantada na corrida pelo desenvolvimento de biossimilares no País. Trata-se de uma parceria entre quatro grandes produtoras de genéricos: EMS, Aché, Hypermarcas e União Química. Segundo o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, a biotecnologia é uma área estratégica para o País. “São produtos de alto conteúdo tecnológico, de alto valor, que a gente tem de desenvolver para ter garantia de acesso à população brasileira.”
Medicamentos biológicos, produzidos por meio de células vivas, são complexos e caros – uma caixa pode custar R$ 8 mil, em especial no caso dos remédios oncológicos mais modernos. Por causa do alto custo, os pacientes têm recorrido à Justiça para obter as drogas quando elas não estão na lista de remédios ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2010, por exemplo, o Ministério da Saúde gastou R$ 132,58 milhões para cumprir decisões judiciais ligadas ao fornecimento de remédios de alto custo, ante R$ 2,24 milhões em 2005.
Segundo Gadelha, a tendência é que os biológicos sejam cada vez mais representativos no mercado farmacêutico: se hoje respondem por 20% do mercado mundial, essa parcela deve atingir até 40% nos próximos anos. O governo já preparou um pacote de incentivos para estimular o mercado nacional e calcula que o País esteja pronto para iniciar a produção em cinco anos.
Mas essa expansão não será simples no Brasil. Em primeiro lugar, a fabricação de um biossimilar só se torna possível quando cai a patente de um medicamento biológico inovador. Além disso, o fato de a produção envolver células vivas faz com que todo o processo seja muito mais elaborado em comparação ao das drogas sintéticas e seus genéricos, lembra o biomédico Fernando De Mora, do Departamento de Farmacologia da Universidade Autônoma de Barcelona. Ele foi consultor para a implantação dos biossimilares na Europa, onde já existem 14 remédios desse tipo em circulação, e esteve no Brasil na semana passada.
“A droga biológica é estruturalmente mais complexa, então é preciso estabelecer um processo refinado para ter certeza de que vai haver um controle adequado da estabilidade do produto e de que essa estabilidade não mude e não coloque o paciente em risco”, diz Mora.
O envolvimento de organismos vivos faz com que esse tipo de medicamento tenha um grande potencial de despertar uma resposta imune no corpo, que entende a substância como estranha. O controle da produção deve levar a um produto que não provoque essa resposta, chamada de imunogenicidade.
É também o caráter biológico que impede que os biossimilares sejam idênticos às drogas biológicas originais, diz o consultor em medicina farmacêutica Valdair Pinto. “Nos genéricos, a substância ativa é idêntica. A demonstração é simples, basta um estudo de bioequivalência. Nos biossimilares, as substâncias ativas não são idênticas. São necessários vários estudos para provar que são similares.”
As diferenças entre biossimilares e genéricos não param por aí: enquanto o desenvolvimento do genérico demora de um a dois anos, com custo a partir de R$500 mil, o biossimilar pode levar até oito anos para ficar pronto e o custo é de, no mínimo, R$100 milhões. Por isso biossimilares custam, no máximo, 30% mais barato do que o inovador. E podem alavancar o desenvolvimento científico no País.

FONTE: ESTADÃO